quarta-feira, 14 de abril de 2021

E o navio avança...

Estamos no mundo distópico! Ou até paratópico no sentido invertido: o que é ético e moral não pode ser empregado pelas instituições do “sistema”!

Hoje voltei à carga em luta aguerrida (mas não vencida, espero!) contra a Vivo e agora em menor grau, a TIM!

A primeira, fazendo jus ao epitáfio (“Morto-Vivo”) faz-se de surda ao oferecer um acordo e depois piorar cobrando 3 vezes mais, onde havia um “erro” em cobrança diplicando o valor.  A outra se “engana”, provavelmente, em aumentar o valor de um mês, retomando o outro “normalmente”! Assim, tive que montar as explanações, defesas, justificativas anexando documentos ao investir contra elas enviando tudo à Anatel – último reduto antes de algum processo, que também desencadearia muita dor-de-cabeça. Todos estes acontecimentos me lembram o documentário canadense “Corporação” (The Corporation - https://youtu.be/Zx0f_8FKMrY) em que se explana serem as firmas psicopatas devido à elencagem de muitas de suas características. Assim, os governos, a mim, também o são. Neste caso, estamos aprisionados na fantasia de um mundo “livre”, mas contrariamente, agrilhoado aos ditames das instituições psicopatas, incluindo em primeira instância e diretamente um grande exemplo disso na figura de um ente (doente) presidente deste país! É como parte de um grande sintoma: chegamos a isso porque todos os itens e instituições do mundo (e do país) agem e levam a isso. Noutros países temos seres semelhantes: Venezuela com Maduro-Podres Poderes e Rússia com o eterno Putin (cujo nome já nos remete a um trocadilho-palavrão que nem preciso descrever). E por aí vai. Como diria Fellini “E La nave Va”! E o inferno purgatorial...ou purgatório-infernal nos continua assolando.

Fonte da imagem: abertura do filme em https://youtu.be/Zx0f_8FKMrY


quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

MM-1984 de Orwell-"maravilha"!

 

MM-1984 de Orwell-"maravilha"![1]

 

Gazy Andraus[2]

 

Apreciei este filme!

A diretora Patty Jenkins acertou desta vez, a meu ver, com a personagem criada pelo psicólogo William Moulton Marston, criada como sugestão de sua esposa, à época, como uma heroína para fazer frente aos mascarados-homens, da National Periodicals e All American Publications[3].

Eu lia os gibis da EBAL e até aqueles em que ela deixou de ser a MM durante seu período como Diana, simplesmente.


Fonte:
Fontes: http://guiaebal.com/quemfoi05.html 


Assim, remeteu-me o longa-metragem (de 2h35’!) aos anos 80, lembrando-me um pouco os tipos de roteiros das HQs utilizados para a revista da Mulher Maravilha - mixados, decerto, aos atuais de George Perez talvez, mas dos mais atuais ainda de outros roteiristas que nem conheço - embora me lembre exponencialmente mais dos antigos, que tendiam a um "quê" de mistério e heroísmo mesmo, concernentes à Wonder Woman, incluindo a vilã e referenciais à arqueologia e história antiga.

Vi também referências aos anos 80, sem falar que a narrativa mostra bastante dos museus do Smithsonian, que tive a alegria de conhecer dois dos que são mostrados no filme: o de História Nacional, em que aparece um elefante empalhado e depois, o Aero-espacial. Mas, claro, a história é interessante pois que mostra a questão do desejo e a contrapartida que é tirada a partir de quem deseja e obtém (via um minério especial cujo nome esqueci-me) e há o foco nesta mensagem do desejo humano e o poder (o ator que faz Maxwell configura-se muito bem na película). Há algumas partes um pouco cansativas, mas em geral, o filme é ótimo (com um “quê” também de Superman I e II com Cristopher Reeve, talvez pelo meu saudosismo alicerçado às cenas na cidade, como apareciam nas décadas de 70 e 80).

Ao sair do cinema (sala quase vazia, pois fui segunda à noite), a mulher do casal à minha frente detestou o filme dizendo que era uma grande sessão da tarde. Bem, que há de mal em ser uma sessão da tarde? Mas eu achei superior aos filmes dedicados apenas a mero entretenimento e/ou passatempo, sim (embora seja para isto o filme, claro).

Porém, devo dizer com tudo isso que, após ver o filme e após ouvir a crítica da mulher, penso que há muito dos referenciais de quem assiste um filme (ou este filme, no caso) que possa influenciar no criticismo de quem sorve um filme. Meus referenciais me permitiram fazer rápidas analogias e conexões enquanto assistia, situando minhas reflexões e assim, permitindo-me gozar de mais fatos e informações trazidas pelo filme. Penso que a depender dos referenciais, influencia a que muitas pessoas possam gostar ou desgostar deste filme, em vários graus (e na verdade, de quaisquer filmes, HQs, livros etc). Ainda assim, preferi este que o primeiro da MM, o qual achei apenas quase mediano à época. Este segundo, 1984 (nome também sugestivo que remete ao livro de G. Orwell - mais outra referência, embora a diretora pareça ter dito que a data se relacionaria mais àquele período como uma época incrível na vida das pessoas), eu até assistiria de novo daqui a um tempo, para reviver e amplificar o que vi de referenciais!


Fontes: http://guiaebal.com/quadrinhos06.html


Só penso que perderam uma grande chance de brincarem com a franquia Star Trek! Explico-me: o personagem aviador Steve Trevor é feito pelo mesmo ator que fez o Capitão Kirk da Enterprise na série mais recente do cinema. No museu aeroespacial que aparece no filme existe uma réplica miniatura da Enterprise (como uma maquete), pois podiam tê-lo feito esbarrar na réplica e dizer algo como: "que nave interessante...será que eu saberia pilotar"! Seria uma brincadeira e tanto!

Devo reforçar que, em muitos momentos (principalmente dentro da área de pesquisa do museu, onde os personagens interagiam), frequentemente me remetiam às HQs da DC publicadas pela EBAL, que misturavam (ou intentavam) ciência com Heróis, tanto em gibis de Superman, Batman, como especialmente nas do Flash e Mulher Maravilha (neste caso, misturando aos roteiros, imaginação e criatividade com uso de pseudo-ciência com aura de pesquisa). Apreciei por me remeterem a isto também.

Creio que a diretora Jenkins foi feliz neste filme, e nos presenteou com algo belo, e que pessoas como eu, que tem referenciais mais anteriores, souberam beber nesta fonte e sorvê-la!

Como um adendo: pro pessoal não pensar que eu estou exagerando ou divagando, pontuo ressalvas críticas: como mencionei antes, algumas partes são um pouco cansativas, e a luta dela com a Mulher-Leopardo na cena com a armadura, eu achei razoável e meio forçada para que usasse a armadura, apenas. E a atriz, infelizmente, a todo momento, me vinha a mente que é belicista e de certa maneira, anti-semita, acusando de forma errada (a meu ver) a luta dos palestinos. Assim como eu recrimino o falecido ator Charlton Heston (Ben-Hur e El Cid), um tremendo ator, mas defensor do uso de armas.

Enfim, minha mente sempre divaga nestas todas paragens ao assistir um filme, no caso, este. Ainda assim, mantenho meu foco no filme e nas reminiscências e boa passagem pela minha visualização. Diferentemente, a mim, do que me transmitiu o último Vingadores, filme ambiciosamente nulo e esquecível (pois neste, o referencial que eu tinha, mais o que ele passou na narrativa, pareceu-me empobrecido, embora pleno de tratamentos com efeitos especiais etc)!


A quem queira conhecer e baixar as duas fases da Mulher-Maravilha (incluindo quando deixa de sê-lo e se denomina simplesmente de Diana), podem encontrar aqui:

- Diana (formato americano pela EBAL): http://guiaebal.com/quemfoi05.html

- Mulher Maravilha (em formatinho pela EBAL): http://guiaebal.com/quadrinhos06.html

- Live com Dani Marinho: “Mulher-Maravilha: feminismo e representatividade na cultura pop” - https://youtu.be/ixGC18_uykE


Gazy Andraus, 21/01/2021 

Um adendo - após reassistir o filme, confirmo meu apreço por ele, aglutinando aqui mais alguns pontos à reflexão: há mais elementos outros aglutinados aos anteriores por mim citados, que vi no filme, nesta segunda vez, e que me confirmaram meu apreço por ele. Só não consigo me lembrar exatamente quais. Pelo menos, um ponto é interessante: a DC tem mania de por sempre, ao final, uma luta dos heróis com algo monstruoso, e desta vez isso não aconteceu, ainda bem. 
Lembrei-me de um ponto que me reverberou: na HQ dos X-Men contra os Z-Noxx, desenhada por Neal Adams na década de 1970, no final, eles vencem os extraterrestres com a energia conectada a todo ente humano: energia de fé, esperança e amor, direcionada pelo professor X. O MM 1984 me lembrou isto tb ao final. 
Gostei, então, das mensagens: a questão dos desejos sendo realizados a todos, que causam distúrbios no equilíbrio do sistema do planeta e, claro, a ética e reprodução de conceitos a mim atinentes, não só à década de 70, mas mantidos em minha verve. Com relação à questão dos desejos, lembro do doc muito criticado "O Segredo" que justamente era uma espécie de "auto-ajuda" falaciosa que tendia a esta questão de que qualquer desejo pode ser realizado. O filme me recordou esta questão e, inadvertidamente, pôs em xeque isto (que eu conhecia por leituras sobre física quântica e outras na linha esotérica etc). Pronto, consegui me lembrar de mais alguns pontos. E, sim, finalizando, tem a ver com as HQs da década de 1970, como eu mesmo lembrei da dos X-Men e da própria DC na época! (02/02/2021)

[1] Após assistir o filme no dia 18/01/2021, veio-me um desejo de escrever algo sobre. Porém, em meio a trabalheira na pesquisa de minha pós, acabei por fazê-lo agora, impulsionado por ter tido um diálogo no facebook com a pesquisadora Dani Marino. É a partir das minhas reflexões no facebook ao responder a ela as razões de eu ter gostado do filme, que resgatei minhas respostas e as reconstruói aqui como um texto).

[2] Gazy Andraus é pós-doutorando pelo PPGACV da UFG, Doutor pela ECA-USP, Mestre em Artes Visuais pela UNESP, Pesquisador e membro do Observatório de HQ da USP, Criação e Ciberarte (UFG) e Poéticas Artísticas e Processos de Criação. Também publica artigos e textos no meio acadêmico e em livros acerca das Histórias em Quadrinhos (HQs) e Fanzines, bem como também é autor de HQs e Fanzines na temática fantástico-filosófica. Contatos: yzagandraus@gmail.com; gazyandraus@ufg.br; http://tesegazy.blogspot.com

terça-feira, 19 de janeiro de 2021

Cultura da hegemonia

 Um país sem desenvolvimento cultural é uma lástima. A hegemonia e o puro entretenimento impedem a vazão de busca de explorações, conhecimentos e reflexões. A Rede Globo, por exemplo, insiste em passar seus filmes mais ricos em variantes em horários da madrugada para pouco público. Tudo bem que "Missão impossível 4" é uma fraquia. Mas o que custaria à rede deixar "Tungstênio" (que é baseada na HQ de Marcelo Quintanilha - que foi publicada na Europa) para uma outra segunda à noite e não passá-la na madrugada, como foi o caso de ontem. E mais: que tal ela abrir seus filmes que são fora da cadeia hollywoodiana com esclarecimentos rápidos ao público? Recentemente passou o filme alemão "Hector e a busca da felicidade", excelente película, também noutro horário madrugadeiro. Nunca o Brasil sairá da ignomínia da falta de conhecimento e ampliação da educação se as grandes mídias continuam não fazendo o auxílio a isso, mesmo elas tendo como premissa a função social. Uma pena. Continuamos a descida ao abismo da escassez da informação e ampliação cultural!




domingo, 10 de janeiro de 2021

RESENHA DE HOMO ETERNUS de G. Andraus

 

RESENHA DE HOMO ETERNUS – Volume III

por Larissa Dias (Analista na empresa Scientia Consultoria Científica e Psicoterapeuta e Orientadora Profissional na empresa Larissa Dias - https://www.facebook.com/profile.php?id=100009061540478)



No volume III, “O Esvanecimento” traz a imagem linda da transformação deste homem, rumo ao eterno! A consciência da nossa ferida realmente faz com que possamos não apenas curar a nós, mas consequentemente curar a muitos. Talvez essa obra toda seja isso: perceber como o ser humano pode ser mais do que é e fazer com que outros possam se questionar sobre os limites do seu pensamento e sobre a sua própria filosofia de vida.

 


Na história “Surge e Desce” senti essa necessidade de viver aquilo que se apresenta à sua frente. Como creio que não é por acaso que essa obra ou qualquer outra chegue às minhas mãos: ali sempre haverá uma lição a ser aprendida e a ser repassada, como uma gota que executa o efeito gradiente em um lago calmo.

 


Em “Eu e Ele” a afirmação do Livro do Mortos já acalentou meu coração, porque acredito que todo o trabalho que os egípcios tinham para decorar o livro já os fazia evoluir para onde precisariam. Na história, esse embate, a luta contra si mesmo que leva ao triste empate, mas que o faz ouvir essa voz desse espírito delicado que traz a mensagem de evolução para ambos, é uma necessidade. E em um natural processo evolutivo, a compreensão e a união fazem parte de um resultado ideal, mas que sem luta talvez não ocorresse. E diante disto, podem ir rumo ao infinito e à tão esperada vida eterna!

 


Na “Quadratura” gostei muito desse processo do 4, que Jung traz tão sabiamente em sua teoria, como na dos tipos psicológicos: a junção do percentual que temos dos 4 tipos é o que nos faz completos! E o dois se torna 4 para integrar-se ao todo, ao Tudo.

 


Na história do “O Fim do Fio” vi uma genialidade na beleza das imagens e na forma como elas continuam nas páginas seguintes, mostrando o fio da vida e nosso caminhar por ele, nossos processos e o fato de parecer sempre estarmos “por um fio”, embora muitas vezes a gente esqueça disso. Talvez somente nos lembrando da morte é que consigamos viver plenamente, e como diria Gurdjieff: precisamos sempre na nossa vida nos lembrar de que vamos morrer e isso é preciso nunca esquecer!

 


E a última história, “Faces” traz a exclusão daquilo que é diferente, que a todos deve parecer errado, quando na verdade é apenas uma outra forma de ver as coisas, muitas vezes uma que estamos precisando. Isso ocorreu com deuses antigos que viraram demônios e ocorre com pessoas reais que, transformadas nesses mesmos demônios, são marginalizadas e expulsas de algum “paraíso”. Bem, se o diferente precisa ser expulso da ordem social, talvez muitos de nós devamos almejar sua própria expulsão, porque não há liberdade maior do que não ter nada a perder. Assim, pode-se realizar sua missão sem arrependimentos e sem amarras. Então, vamos colher as flores da nossa liberdade!



sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

RESENHA DE HOMO ETERNUS de G. Andraus

 

RESENHA DE HOMO ETERNUS – Volume II

por Larissa Dias (Analista na empresa Scientia Consultoria Científica e Psicoterapeuta e Orientadora Profissional na empresa Larissa Dias - https://www.facebook.com/profile.php?id=100009061540478)

 

A primeira história do volume II, “Sina” é muito o que acredito e uso no meu trabalho: a necessidade de enxergar as nossas amarras, as nossas limitações, aquilo que faz com que nós mesmo possamos nos ver presos a uma cruz que decidimos carregar. Muitas vezes podemos pensar que assumir as rédeas da nossa vida fará com que o peso da cruz aumente, quando na realidade, no momento em que o ser humano decide que deve ser o único responsável por aquilo que lhe acontece é quando o peso finalmente lhe sai dos ombros.

 



Na história a “Mãe” me veio um sentimento fraterno, uma ligação à Mãe-Terra, a primeira mãe da nossa existência. Que metáfora belíssima essa da transformação, da integração. Não sei se foi a intenção da história, mas me trouxe uma conexão muito grande do poder gerador do feminino (que existe nos homens também, assim como o poder fecundador do masculino também existe nas mulheres, em suas psiquês) capaz de fazer a vida acontecer de forma amorosa e por isso mesmo, poderosa, em doação completa.

 


Em “O Portal do Destino” a simbologia da busca eterna do motivo da nossa existência aparece de forma magnânima e me fez pensar em algo que acredito: realmente podemos compreender que em nós existe uma fagulha daquilo que podemos chamar de “Deus” ou do que mais quisermos. Mas nosso Ego não deve tentar ser ele, pois assim a busca acaba antes mesmo de começar. Porém, quando enxergarmos com a luz do sol da consciência a essência divina em nós, a vida será apenas um dos caminhos da nossa alma eterna.

 


A história “O Último Lance” foi a que mais gostei, porque achei a mais profunda. Que visão incrível do que representa nosso mundo, nossos processos e nossa capacidade de existir. Esse jogo interminável onde os velhos sábios não devem interferir, mas que de forma sutil acabam influenciando nossas ações humanas. De novo a necessidade de equilibrar o bem eu mal e então me lembrei de um episódio interessante enquanto lia Nietzsche “Além do Bem e do Mal”: estava na metade do livro e em um assalto perdi o livro junto com a minha bolsa e então pensei: que pelo menos o ladrão poderia pegar o livro e daí compreender algo da sua própria ação. Mas daí vi que eu também havia compreendido algo ali com aquela experiência, muito mais do que se tivesse acabado de ler o livro. Talvez essa seja a verdadeira ação da Serpente e do Cristo nas nossas vidas.

 


Em “Ad Infinitum” enxerguei um “áxis-mundi” um portal que liga a terra ao céu, mas que pra mim sempre foi um mecanismo de processos cíclicos. E como é perfeito esse movimento!

 


A ilustração da página 35 é AVASSALADORA!!!!!! Fiquei perdida nela por um bom tempo. Que ser maravilhoso, tive que fotografar e mandar para um amigo. Achei tão sereno, tão completo em si mesmo, cheio de uma força, uma energia vital inesgotável! Se me perguntarem, essa foi a que mais gostei, tem muitos conceitos nela, como nas pinturas hindus, onde passo longos períodos lendo-as e que sempre volto nelas e vejo algo que não vi!

 


Em “O Sorriso do Homem que Chora” fiquei pensando em uma característica que tenho: o meu nome Larissa quer dizer “cheia de alegria” e uma das características que saem sem fazer força nas minhas danças (algo que faço sem nenhuma obrigação) é o sorriso. Eu creio que tem a ver com algo que capto do universo e que acaba sendo meu por uns instantes e achei tão bonita essa imagem de completude de um sorriso, o universo como testemunha da alegria.

 


A história “O Ciclo da Natureza” me trouxe uma sensação da sabedoria do infinito. Processos da cadeia alimentar do mundo e até mesmo a destruição que existe na natureza, tão sábia e ao mesmo tempo tão cruel à nossa minúscula cabeça pensante de ser humano, que é incapaz de compreender o grande Mistério! Talvez esse seja nosso papel aqui: acreditar que somos os mais inteligentes por crermos ser os mais complexos, quando na verdade a nossa lição é aprender que a sabedoria da simplicidade é a meta maior da perfeição.

 


(em breve a 3ª e última parte destas resenhas)

 

quarta-feira, 30 de dezembro de 2020

RESENHAS DOS ÁLBUNS HOMO ETERNUS de G. Andraus

Devido a uma de minhas postagens de divulgação de meus álbuns Homo Eternus, Larissa Dias adquiriu comigo os meus 3 volumes. Enviei-lhe e não tardou, resenhou todos os 3 álbuns, demonstrando uma minuciosa leitura! Imediatamente após eu tomar conhecimento de suas análises, respondi-lhe perguntando se aceitaria com que eu as publicasse em meu blog, ao que prontamente acedeu.

E devo dizer que fiquei atônito com tamanho esmero e detalhismo. Gostei demais! Fez-me, inclusive, refletir que foram anos de minha vida produzindo, e refletindo de acordo com meus sentimentos e impressões do mundo, da vida, a partir das reflexões amplificadas pelas minhas referências lidas/vistas etc, tanto na área cultural como na espiritual (e até acadêmica).

Suas análises fizeram-me ver que valeu a pena (e tem valido). Nem só de construção material e física se faz a humanidade e sociedades. Como nos remetem os gregos, a filosofia e o pensar sobre a existência são necessários tanto quanto! E as artes, como estas dos quadrinhos poéticos igualmente!

Algumas de suas reflexões me deixaram contentíssimo pela seu entendimento. Na HQ “Luz”, por exemplo, realmente tem a ver com a vida brilhar tanto no fulgor da juventude como da senilidade.

Já em “Aicnêgrevnoc” que na verdade é lida de trás pra frente como “Convergência” (duas pessoas já me vieram com esta leitura invertida), e quando construí o título, inconscientemente talvez, mas com intuição, eu o fiz de propósito para causar esta dubiedade de algo que não seria “normal” para algo que seria “incrível”: a natureza se confluindo com homem, pássaro e peixe.


Gosto muito de “O Último Lance” e realmente traz esta dualidade entre o bem e mal, mas que neste jogo, ambos aprendem.


Larissa encontrou até novos fatores que eu desconhecia, nas análises de algumas HQs como na “O Esvanecimento”! Embora eu conheça um pouco de Jung, não sabia desta questão do processo dos 4 tipos.

Assim, apenas resolvi inserir alguns excertos de minhas artes, ilustrando seus apartes da minha obra, que por ora perfaz os 3 volumes que originalmente eram em forma de fanzines na década de 1990.

Enfim, apreciem suas resenhas, que subdividi em 3 partes, inserindo-as em meu blog: 

Vol.1: http://conscienciasesociedades.blogspot.com/2020/12/resenhas-dos-albuns-homo-eternus-de-g.html;

Vol.2: http://conscienciasesociedades.blogspot.com/2021/01/resenha-de-homo-eternus-de-g-andraus.html ;

Vol.3:http://conscienciasesociedades.blogspot.com/2021/01/resenha-de-homo-eternus-de-g-andraus_10.html 


Começando aqui a  primeira resenha.

 

Gazy Andraus, 31/12/2020 (Link ao álbum na Ed. Criativo: https://www.criativostore.com.br/homo-eternus-graphicbook-volume-1/p )



RESENHA DE HOMO ETERNUS – Volume I

por Larissa Dias (Analista na empresa Scientia Consultoria Científica e Psicoterapeuta e Orientadora Profissional na empresa Larissa Dias - https://www.facebook.com/profile.php?id=100009061540478)

 

Conheci este estilo de quadrinhos este ano, o qual o autor chama de fantástico-filosófico. E realmente esse nome é propício, pois é filosófico na medida que ao ter contato com suas páginas não há como não questionar ou, pelo menos, pensar sobre a condição humana, seu condicionamento, procurar compreender o como, o onde e os por quês. Nem toda obra faz isso, mas eu agradeço aquelas que fazem, pois atingem uma profundidade dentro de nós que muitas vezes é difícil de acessar. E é fantástico pois é justamente a dose de fantasia que nos leva a pensar sobre as mais sérias questões de uma forma leve, como o tema da morte, por exemplo. O nosso modo social de lidar com ela é muitas vezes não falando sobre isso, sendo que em cada dia sofremos pequenas mortes dentro e fora de nós, como um processo natural da existência mundana.

 

Atualmente, a obra Homo Eternus conta com 3 volumes, estando o volume 4 previsto para meados de 2021. Como faço com tudo que adoro, vou descrever minhas impressões sobre ela aqui, com o objetivo de estimular outros leitores a procurar essa obra tão impressionante:

 

A primeira história do volume I traz como temática “O Jogo da Vida e da Morte”. Traz uma belíssima metáfora daquilo que vive em contato com aquilo que está morto, essa dualidade, essa luta incessante dos opostos. Me fez pensar no momento da humanidade onde os seres se esquecem do seu caminho e acabam se tornando mortos-vivos da sua existência. Fora do seu propósito, não são capazes de criar nada, de gerar uma nova vida pois se perderam de si mesmos, da fonte. Também me fez lembrar dos inúmeros ciclos mitológicos de vida-morte-vida que trazem a mesma mensagem: de que a morte é parte da vida e vice-versa e que sem uma não poderia haver a outra em um processo de renovação, de uma cruel retroalimentação que faz o mecanismo da existência funcionar.

 


Em “O Aroma da Mudança” existe uma belíssima profundidade sobre o encontro com o nosso fim derradeiro e certo. A forma como vemos esse último processo é o que faz com que possamos apreciá-lo. Mas penso que isso ocorre com todas as coisas na nossa vida: as doenças, as tragédias, as catástrofes que nos atingem tem um objetivo e não é a consequência delas que importa, mas a forma como lidamos com isso. O apego àquilo que achamos possuir nos traz dor e sofrimento, mas o andar suave pelo fluxo do universo é a mais bela sabedoria que podemos adquirir.

 


Em “Pedra Bruta” senti como se as transformações da personalidade passassem pela nossa “pedra bruta” procurando lapidá-la, transformá-la. Mas no fim, nada mais somos do que a nossa essência, ela não se transforma conforme a vida tenta moldá-la, mas ela é o material de base que nos leva a ser quem somos.

 


Em “Luz”, me lembrei no mesmo instante de uma poesia de R. Tagore “Luz, Minha Luz”: nessas duas obras a luz é o que comanda a dança da vida. Mesmo que tenhamos por vezes que passar pela escuridão se não houver luz na nossa dança, ela não será vista, nem por nós nem pelos outros. Um amigo uma vez me disse “se você dançasse no escuro, seria uma joia pendurada na noite”. Acho que a luz que carregamos é o que nos faz brilhar diante dos olhos do eterno. E como tudo, precisamos saber que um dia o fim chega mas que a luz deve brilhar tanto no fulgor da nossa jovialidade como na serenidade da nossa velhice. Assim, não importa o momento de vida, sempre estaremos seguros que nossa existência valerá a pena.

 


Como “Hurizen” é profunda e traz a temática daquilo que o ser humano sempre tenta: dominar! Me lembrou os deuses que precisam que os humanos lhes façam orações para que sejam poderosos, pois sem elas, eles não seriam nada. O tudo realmente depende do nada para lhe caracterizar, afinal, os opostos da vida são o que trazem o movimento e o movimento é a existência. Seja nos processos físicos como nos espirituais, essa dualidade sempre fará com que os opostos em eterno atrito gerem uma força vital capaz de fazer chocar o ovo do novo. E creio que toda divindade verdadeira sabe disso.

 


Que belíssimo simbolismo do Homem, do Peixe e do Pássaro em “Aicnêgrevnoc” (“Convergência”), me fez pensar nos símbolos da serpente junto ao peixe da fênix junto ao pássaro da história. Aquilo que rasteja, nossas sombras mais profundas e aquilo que voa, nossa existência mais luminosa e sublime em união com nossa passagem pela existência da humanidade. Me deu uma sensação de liberdade, de movimento e de poder, mas não poder que aprisiona, mas sim o poder que liberta, aquele livre das amarras dos condicionamentos sociais, familiares, religiosos, etc. É como se o homem pudesse ultrapassar suas barreiras para todos os lados, como se pudesse se jogar no meio do seu inferno sem ser consumido pelas sombras que o constroem e como se pudesse fazer o voo de Ícaro sem se queimar com calor extremo da luz do seu sol.

 



O desenho final dessa história é de uma beleza que nem consigo descrever! Talvez no dia que eu for capaz de trazer essa união mencionada nessa história, as palavras venham de uma forma mais ordenada e eu possa colocá-las no papel.

 


(em breve a 2ª parte)


domingo, 15 de novembro de 2020

CD "Máquina Hiper-Real Aforística" de Ciberpajé (a.k.a. Edgar Franco) e Hari Maia

Os aforismos, que em sua contraparte existem como HQForismos - histórias em quadrinhos com aforismas - idealizadas por Danielle Barros (IV Sacerdotisa) e Edgar Franco (o Ciberpajé) estão cada vez mais espalhando-se! Tal quais memes (com base na teoria de Richard Dawkins) em que há transmissão de ideias, agora, mais que antes, o artista multimídia e pesquisador Edgar - Ciberpajé - Franco continua ampliando seu leque, no caso, sonoro. Associou-se, desta feita, a Hari Maia (https://www.youtube.com/user/harimaia2/about) que, anteriormente produzia um som agressivo, agora compondo sons ambientais e experimentais (e até progressivos).

Posso dizer que a mixagem da voz de Ciberpajé com a sonoridade de Maia neste álbum Hiper-Real chegou ao ápice da técnica na sucessão de trabalhos da linha sonora de Franco, o Ciberpajé. Ademais, claro, não posso deixar de afirmar que este tipo de som é o que mais se afina com a estética que me compraz.

A primeira faixa, Pura Perfeição, tem uma tranqüilidade progressiva que muito me tocou. E ao final, dela, o aforismo fecha com a pureza declamada da essência cósmica!

Em O amor é sempre a meta, a segunda faixa, o Ciberpajé, em meio à sonoridade, nos toca com seu aforismo declamado. Esta, por sinal, uma faixa mais ambiental sonora, em que percebi que a partir de certo trecho até seu final insinua-se próximo da sonoridade desfilada pelo grupo alemão Tangerine Dream, que revolucionou fazendo um rock-progressivo eletrônico (e que também fez trilhas sonoras magníficas de vários filmes), perfazendo uma unidade sonora – e ao mesmo tempo complexa e rica – progredindo diversificadamente até findar aos seus quatro minutos e meio!

Em A Lua esplendorosa, mais uma vez Maia nos traz o som prog-ambiental, e nesta faixa, o Ciberpajé rasga com a potência sonora, coadunando sua voz perfeitamente ao ritmo musicado, quase beirando uma cantoria aforística! A mais contundente postação de voz de Franco no CD! E a riqueza sonora do musicista Hari Maia nos assombra novamente com uma beleza sonora inigualável e progressista!

Em A Criação Genuína, a voz aforística de Ciberpajé nos ensina como devemos proceder no processo criativo, a fim de que criemos o novo sem perturbações. Esta é uma faixa um pouco mais densa que as anteriores na sonoridade.

Por fim, a quinta faixa, A máquina do Lucro, resgata as críticas que Franco (o Ciberpajé) tem demonstrado em suas artes e suas pesquisas, no assombro que é o viver social arraigado na desconexão da natureza e o desgaste de cada um dos humanos que se destrói imerso na vivência engendrada por uma máquina de ilusão e que (n)os arruína aos poucos. A sonorização de Hari traz, desta feita, o som meio “maquinal”, com um tanto de distorção e que nos lembra o som de máquinas cujos sons nos admoestam. O recado final deste aforismo é apocalíptico, e ao mesmo tempo, viável, dadas as vicissitudes criadas pelo elemento humano, que engendrariam sua própria ruína. Esta última faixa é uma apoteose sonoro-ambiental com menos “doçura” que as anteriores, mas mesmo assim, essencial neste CD que como toda arte, nos avisa em sua estética, dos males que singramos. A beleza artística deste dueto e a poesia que nos enleva, ao mesmo tempo, expõe o lamaçal do mal que o humano-ser desenvolveu inconscientemente, à revelia da natura!

Espero, sinceramente, que este dueto Hari/Ciberpajé continue, e nos brinde com mais destes CDs maravilhosos[1]!

Para baixar as faixas ou o álbum, clique aqui: https://ciberpaje.bandcamp.com/album/m-quina-hiper-real - ao pedir o valor, você escolhe quanto, podendo ser até mesmo $0,00, pois o sistema aceita (ou, caso não esteja usando Spotify, também está disponível em outras plataformas assim como Deezer, Itunes, Bandcamp, Soundcloud. Escolha a sua favorita e ouça este  instigante e belo trabalho - https://harimaiaprojetociberpaje.fanlink.to/maquinahiperreal)

Encarte 1 do CD

 

Para saber mais e ver a capa com as artes internas e letras, na técnica inovadora artística do Ciberpajé, acesse mais aqui: https://ciberpaje.blogspot.com/2020/11/lancamento-ouca-agora-ciberpaje-maquina.html?fbclid=IwAR0zSMoWlEGTC21i61kInvTW_i2h2NvApd-Jjbic7bX4UpWiS_9WBKZkVBo

 

 Gazy Andraus[2]

Goiânia/GO, 16/11/2020



 [1] Tão tocado fiquei, que até arrisquei entoar vociferações aleatoriamente criadas (tal qual o faço diretamente ao desenhar à nanquim) na faixa 1, lembrando minhas passagens do grupo Essence, do qual fiz parte a convite de Edgar Franco e Dênio Alves, nos saudosos anos pretéritos do final da década de 1990 para 2000! Para esta faixa na minha versão, clique aqui: https://soundcloud.com/user-480423146/versao-gazy-aforismo-i-pura-perfeicao

[2] Pós-doutorando pelo PPGACV da UFG, Doutor pela ECA-USP, Mestre em Artes Visuais pela UNESP, Pesquisador e membro do Observatório de HQ da USP, Criação e Ciberarte (UFG) e Poéticas Artísticas e Processos de Criação. Também publica artigos e textos no meio acadêmico e em livros acerca das Histórias em Quadrinhos (HQs) e Fanzines, bem como também é autor de HQs e Fanzines na temática fantástico-filosófica. E-mail: yzagandraus@gmail.com; gazyandraus@ufg.br;  http://tesegazy.blogspot.com/