Um país sem desenvolvimento cultural é uma lástima. A hegemonia e o puro entretenimento impedem a vazão de busca de explorações, conhecimentos e reflexões. A Rede Globo, por exemplo, insiste em passar seus filmes mais ricos em variantes em horários da madrugada para pouco público. Tudo bem que "Missão impossível 4" é uma fraquia. Mas o que custaria à rede deixar "Tungstênio" (que é baseada na HQ de Marcelo Quintanilha - que foi publicada na Europa) para uma outra segunda à noite e não passá-la na madrugada, como foi o caso de ontem. E mais: que tal ela abrir seus filmes que são fora da cadeia hollywoodiana com esclarecimentos rápidos ao público? Recentemente passou o filme alemão "Hector e a busca da felicidade", excelente película, também noutro horário madrugadeiro. Nunca o Brasil sairá da ignomínia da falta de conhecimento e ampliação da educação se as grandes mídias continuam não fazendo o auxílio a isso, mesmo elas tendo como premissa a função social. Uma pena. Continuamos a descida ao abismo da escassez da informação e ampliação cultural!
Caros, esse blogue não é um fanzine. mas poderia ser: nele há ideias e conceitos que não pertencem só à minha gaveta mental, partilhando-as a todos. Mas não o vinculo exclusivamente às minhas artes de quadrinhos, pois quero deixar nele meus questionamentos de situações nacionais (e mundiais) que são pouco verificadas e criticadas devido à falta de "tempo" das pessoas que trabalham para manutenção de um mundo capitalista e cheio de injustiças. Vocês verão a que me refiro. Gazy Andraus, 8/12/2010.
terça-feira, 19 de janeiro de 2021
domingo, 10 de janeiro de 2021
RESENHA DE HOMO ETERNUS de G. Andraus
RESENHA DE HOMO ETERNUS – Volume III
por Larissa Dias (Analista na empresa Scientia
Consultoria Científica e Psicoterapeuta e Orientadora Profissional na empresa
Larissa Dias - https://www.facebook.com/profile.php?id=100009061540478)
No volume III, “O Esvanecimento” traz a imagem linda da
transformação deste homem, rumo ao eterno! A consciência da nossa ferida
realmente faz com que possamos não apenas curar a nós, mas consequentemente
curar a muitos. Talvez essa obra toda seja isso: perceber como o ser humano
pode ser mais do que é e fazer com que outros possam se questionar sobre os
limites do seu pensamento e sobre a sua própria filosofia de vida.
Na história “Surge e Desce” senti essa necessidade de viver
aquilo que se apresenta à sua frente. Como creio que não é por acaso que essa
obra ou qualquer outra chegue às minhas mãos: ali sempre haverá uma lição a ser
aprendida e a ser repassada, como uma gota que executa o efeito gradiente em um
lago calmo.
Em “Eu e Ele” a afirmação do Livro do Mortos já acalentou
meu coração, porque acredito que todo o trabalho que os egípcios tinham para
decorar o livro já os fazia evoluir para onde precisariam. Na história, esse
embate, a luta contra si mesmo que leva ao triste empate, mas que o faz ouvir
essa voz desse espírito delicado que traz a mensagem de evolução para ambos, é
uma necessidade. E em um natural processo evolutivo, a compreensão e a união
fazem parte de um resultado ideal, mas que sem luta talvez não ocorresse. E
diante disto, podem ir rumo ao infinito e à tão esperada vida eterna!
Na “Quadratura” gostei muito desse processo do 4, que Jung
traz tão sabiamente em sua teoria, como na dos tipos psicológicos: a junção do
percentual que temos dos 4 tipos é o que nos faz completos! E o dois se torna 4
para integrar-se ao todo, ao Tudo.
Na história do “O Fim do Fio” vi uma genialidade na beleza
das imagens e na forma como elas continuam nas páginas seguintes, mostrando o
fio da vida e nosso caminhar por ele, nossos processos e o fato de parecer
sempre estarmos “por um fio”, embora muitas vezes a gente esqueça disso. Talvez
somente nos lembrando da morte é que consigamos viver plenamente, e como diria
Gurdjieff: precisamos sempre na nossa vida nos lembrar de que vamos morrer e
isso é preciso nunca esquecer!
E a última história, “Faces” traz a exclusão daquilo que é
diferente, que a todos deve parecer errado, quando na verdade é apenas uma
outra forma de ver as coisas, muitas vezes uma que estamos precisando. Isso
ocorreu com deuses antigos que viraram demônios e ocorre com pessoas reais que,
transformadas nesses mesmos demônios, são marginalizadas e expulsas de algum
“paraíso”. Bem, se o diferente precisa ser expulso da ordem social, talvez
muitos de nós devamos almejar sua própria expulsão, porque não há liberdade
maior do que não ter nada a perder. Assim, pode-se realizar sua missão sem
arrependimentos e sem amarras. Então, vamos colher as flores da nossa
liberdade!
sexta-feira, 1 de janeiro de 2021
RESENHA DE HOMO ETERNUS de G. Andraus
RESENHA DE HOMO ETERNUS – Volume II
por Larissa Dias (Analista na empresa Scientia
Consultoria Científica e Psicoterapeuta e Orientadora Profissional na empresa
Larissa Dias - https://www.facebook.com/profile.php?id=100009061540478)
A primeira história do volume II, “Sina” é muito o que
acredito e uso no meu trabalho: a necessidade de enxergar as nossas amarras, as
nossas limitações, aquilo que faz com que nós mesmo possamos nos ver presos a
uma cruz que decidimos carregar. Muitas vezes podemos pensar que assumir as
rédeas da nossa vida fará com que o peso da cruz aumente, quando na realidade,
no momento em que o ser humano decide que deve ser o único responsável por
aquilo que lhe acontece é quando o peso finalmente lhe sai dos ombros.
Na história a “Mãe” me veio um sentimento fraterno, uma
ligação à Mãe-Terra, a primeira mãe da nossa existência. Que metáfora belíssima
essa da transformação, da integração. Não sei se foi a intenção da história,
mas me trouxe uma conexão muito grande do poder gerador do feminino (que existe
nos homens também, assim como o poder fecundador do masculino também existe nas
mulheres, em suas psiquês) capaz de fazer a vida acontecer de forma amorosa e
por isso mesmo, poderosa, em doação completa.
Em “O Portal do Destino” a simbologia da busca eterna do
motivo da nossa existência aparece de forma magnânima e me fez pensar em algo
que acredito: realmente podemos compreender que em nós existe uma fagulha
daquilo que podemos chamar de “Deus” ou do que mais quisermos. Mas nosso Ego
não deve tentar ser ele, pois assim a busca acaba antes mesmo de começar.
Porém, quando enxergarmos com a luz do sol da consciência a essência divina em
nós, a vida será apenas um dos caminhos da nossa alma eterna.
A história “O Último Lance” foi a que mais gostei, porque
achei a mais profunda. Que visão incrível do que representa nosso mundo, nossos
processos e nossa capacidade de existir. Esse jogo interminável onde os velhos
sábios não devem interferir, mas que de forma sutil acabam influenciando nossas
ações humanas. De novo a necessidade de equilibrar o bem eu mal e então me
lembrei de um episódio interessante enquanto lia Nietzsche “Além do Bem e do
Mal”: estava na metade do livro e em um assalto perdi o livro junto com a minha
bolsa e então pensei: que pelo menos o ladrão poderia pegar o livro e daí
compreender algo da sua própria ação. Mas daí vi que eu também havia
compreendido algo ali com aquela experiência, muito mais do que se tivesse
acabado de ler o livro. Talvez essa seja a verdadeira ação da Serpente e do
Cristo nas nossas vidas.
Em “Ad Infinitum” enxerguei um “áxis-mundi” um portal que
liga a terra ao céu, mas que pra mim sempre foi um mecanismo de processos
cíclicos. E como é perfeito esse movimento!
A ilustração da página 35 é AVASSALADORA!!!!!! Fiquei
perdida nela por um bom tempo. Que ser maravilhoso, tive que fotografar e
mandar para um amigo. Achei tão sereno, tão completo em si mesmo, cheio de uma
força, uma energia vital inesgotável! Se me perguntarem, essa foi a que mais
gostei, tem muitos conceitos nela, como nas pinturas hindus, onde passo longos
períodos lendo-as e que sempre volto nelas e vejo algo que não vi!
Em “O Sorriso do Homem que Chora” fiquei pensando em uma
característica que tenho: o meu nome Larissa quer dizer “cheia de alegria” e
uma das características que saem sem fazer força nas minhas danças (algo que
faço sem nenhuma obrigação) é o sorriso. Eu creio que tem a ver com algo que
capto do universo e que acaba sendo meu por uns instantes e achei tão bonita
essa imagem de completude de um sorriso, o universo como testemunha da alegria.
A história “O Ciclo da Natureza” me trouxe uma sensação da
sabedoria do infinito. Processos da cadeia alimentar do mundo e até mesmo a
destruição que existe na natureza, tão sábia e ao mesmo tempo tão cruel à nossa
minúscula cabeça pensante de ser humano, que é incapaz de compreender o grande
Mistério! Talvez esse seja nosso papel aqui: acreditar que somos os mais
inteligentes por crermos ser os mais complexos, quando na verdade a nossa lição
é aprender que a sabedoria da simplicidade é a meta maior da perfeição.
(em breve a 3ª e última parte destas resenhas)
quarta-feira, 30 de dezembro de 2020
RESENHAS DOS ÁLBUNS HOMO ETERNUS de G. Andraus
Devido a uma de minhas postagens de divulgação de meus álbuns Homo Eternus, Larissa Dias adquiriu comigo os meus 3 volumes. Enviei-lhe e não tardou, resenhou todos os 3 álbuns, demonstrando uma minuciosa leitura! Imediatamente após eu tomar conhecimento de suas análises, respondi-lhe perguntando se aceitaria com que eu as publicasse em meu blog, ao que prontamente acedeu.
E devo dizer que fiquei atônito com tamanho esmero e
detalhismo. Gostei demais! Fez-me, inclusive, refletir que foram anos de minha
vida produzindo, e refletindo de acordo com meus sentimentos e impressões do
mundo, da vida, a partir das reflexões amplificadas pelas minhas referências
lidas/vistas etc, tanto na área cultural como na espiritual (e até acadêmica).
Suas análises fizeram-me ver que valeu a pena (e tem
valido). Nem só de construção material e física se faz a humanidade e
sociedades. Como nos remetem os gregos, a filosofia e o pensar sobre a
existência são necessários tanto quanto! E as artes, como estas dos quadrinhos
poéticos igualmente!
Algumas de suas reflexões me deixaram contentíssimo pela seu
entendimento. Na HQ “Luz”, por exemplo, realmente tem a ver com a vida brilhar tanto no fulgor da
juventude como da senilidade.
Já em “Aicnêgrevnoc” que na verdade
é lida de trás pra frente como “Convergência” (duas pessoas já me vieram com esta leitura invertida), e quando construí o título, inconscientemente
talvez, mas com intuição, eu o fiz de propósito para causar esta dubiedade de
algo que não seria “normal” para algo que seria “incrível”: a natureza se
confluindo com homem, pássaro e peixe.
Gosto muito de “O Último Lance” e
realmente traz esta dualidade entre o bem e mal, mas que neste jogo, ambos
aprendem.
Larissa encontrou até novos fatores
que eu desconhecia, nas análises de algumas HQs como na “O Esvanecimento”! Embora
eu conheça um pouco de Jung, não sabia desta questão do processo dos 4 tipos.
Assim, apenas resolvi inserir alguns excertos de minhas
artes, ilustrando seus apartes da minha obra, que por ora perfaz os 3 volumes
que originalmente eram em forma de fanzines na década de 1990.
Enfim, apreciem suas
resenhas, que subdividi em 3 partes, inserindo-as em meu blog:
Vol.1:
http://conscienciasesociedades.blogspot.com/2020/12/resenhas-dos-albuns-homo-eternus-de-g.html;
Vol.2:
http://conscienciasesociedades.blogspot.com/2021/01/resenha-de-homo-eternus-de-g-andraus.html
;
Vol.3:http://conscienciasesociedades.blogspot.com/2021/01/resenha-de-homo-eternus-de-g-andraus_10.html
Começando aqui a primeira resenha.
Gazy Andraus, 31/12/2020 (Link ao álbum na Ed. Criativo: https://www.criativostore.com.br/homo-eternus-graphicbook-volume-1/p )
RESENHA DE HOMO ETERNUS – Volume I
por Larissa Dias (Analista na empresa Scientia Consultoria Científica e Psicoterapeuta
e Orientadora Profissional na empresa Larissa Dias - https://www.facebook.com/profile.php?id=100009061540478)
Conheci este estilo de quadrinhos este ano, o qual o autor
chama de fantástico-filosófico. E realmente esse nome é propício, pois é filosófico
na medida que ao ter contato com suas páginas não há como não questionar ou,
pelo menos, pensar sobre a condição humana, seu condicionamento, procurar
compreender o como, o onde e os por quês. Nem toda obra faz isso, mas eu
agradeço aquelas que fazem, pois atingem uma profundidade dentro de nós que
muitas vezes é difícil de acessar. E é fantástico pois é justamente a dose de
fantasia que nos leva a pensar sobre as mais sérias questões de uma forma leve,
como o tema da morte, por exemplo. O nosso modo social de lidar com ela é
muitas vezes não falando sobre isso, sendo que em cada dia sofremos pequenas
mortes dentro e fora de nós, como um processo natural da existência mundana.
Atualmente, a obra Homo Eternus conta com 3 volumes, estando
o volume 4 previsto para meados de 2021. Como faço com tudo que adoro, vou
descrever minhas impressões sobre ela aqui, com o objetivo de estimular outros
leitores a procurar essa obra tão impressionante:
A primeira história do volume I traz como temática “O Jogo
da Vida e da Morte”. Traz uma belíssima metáfora daquilo que vive em contato
com aquilo que está morto, essa dualidade, essa luta incessante dos opostos. Me
fez pensar no momento da humanidade onde os seres se esquecem do seu caminho e
acabam se tornando mortos-vivos da sua existência. Fora do seu propósito, não
são capazes de criar nada, de gerar uma nova vida pois se perderam de si
mesmos, da fonte. Também me fez lembrar dos inúmeros ciclos mitológicos de
vida-morte-vida que trazem a mesma mensagem: de que a morte é parte da vida e
vice-versa e que sem uma não poderia haver a outra em um processo de renovação,
de uma cruel retroalimentação que faz o mecanismo da existência funcionar.
Em “O Aroma da Mudança” existe uma belíssima profundidade
sobre o encontro com o nosso fim derradeiro e certo. A forma como vemos esse
último processo é o que faz com que possamos apreciá-lo. Mas penso que isso
ocorre com todas as coisas na nossa vida: as doenças, as tragédias, as
catástrofes que nos atingem tem um objetivo e não é a consequência delas que
importa, mas a forma como lidamos com isso. O apego àquilo que achamos possuir
nos traz dor e sofrimento, mas o andar suave pelo fluxo do universo é a mais
bela sabedoria que podemos adquirir.
Em “Pedra Bruta” senti como se as transformações da
personalidade passassem pela nossa “pedra bruta” procurando lapidá-la,
transformá-la. Mas no fim, nada mais somos do que a nossa essência, ela não se
transforma conforme a vida tenta moldá-la, mas ela é o material de base que nos
leva a ser quem somos.
Em “Luz”, me lembrei no mesmo instante de uma poesia de R.
Tagore “Luz, Minha Luz”: nessas duas obras a luz é o que comanda a dança da
vida. Mesmo que tenhamos por vezes que passar pela escuridão se não houver luz
na nossa dança, ela não será vista, nem por nós nem pelos outros. Um amigo uma
vez me disse “se você dançasse no escuro, seria uma joia pendurada na noite”.
Acho que a luz que carregamos é o que nos faz brilhar diante dos olhos do
eterno. E como tudo, precisamos saber que um dia o fim chega mas que a luz deve
brilhar tanto no fulgor da nossa jovialidade como na serenidade da nossa
velhice. Assim, não importa o momento de vida, sempre estaremos seguros que
nossa existência valerá a pena.
Como “Hurizen” é profunda e traz a temática daquilo que o
ser humano sempre tenta: dominar! Me lembrou os deuses que precisam que os
humanos lhes façam orações para que sejam poderosos, pois sem elas, eles não
seriam nada. O tudo realmente depende do nada para lhe caracterizar, afinal, os
opostos da vida são o que trazem o movimento e o movimento é a existência. Seja
nos processos físicos como nos espirituais, essa dualidade sempre fará com que
os opostos em eterno atrito gerem uma força vital capaz de fazer chocar o ovo
do novo. E creio que toda divindade verdadeira sabe disso.
Que belíssimo simbolismo do Homem, do Peixe e do Pássaro em
“Aicnêgrevnoc” (“Convergência”), me fez pensar nos símbolos da serpente junto
ao peixe da fênix junto ao pássaro da história. Aquilo que rasteja, nossas
sombras mais profundas e aquilo que voa, nossa existência mais luminosa e
sublime em união com nossa passagem pela existência da humanidade. Me deu uma
sensação de liberdade, de movimento e de poder, mas não poder que aprisiona,
mas sim o poder que liberta, aquele livre das amarras dos condicionamentos
sociais, familiares, religiosos, etc. É como se o homem pudesse ultrapassar
suas barreiras para todos os lados, como se pudesse se jogar no meio do seu
inferno sem ser consumido pelas sombras que o constroem e como se pudesse fazer
o voo de Ícaro sem se queimar com calor extremo da luz do seu sol.
O desenho final dessa história é de uma beleza que nem
consigo descrever! Talvez no dia que eu for capaz de trazer essa união
mencionada nessa história, as palavras venham de uma forma mais ordenada e eu
possa colocá-las no papel.
(em breve a 2ª parte)
domingo, 15 de novembro de 2020
CD "Máquina Hiper-Real Aforística" de Ciberpajé (a.k.a. Edgar Franco) e Hari Maia
Os aforismos, que em sua contraparte existem como HQForismos - histórias em quadrinhos com aforismas - idealizadas por Danielle Barros (IV Sacerdotisa) e Edgar Franco (o Ciberpajé) estão cada vez mais espalhando-se! Tal quais memes (com base na teoria de Richard Dawkins) em que há transmissão de ideias, agora, mais que antes, o artista multimídia e pesquisador Edgar - Ciberpajé - Franco continua ampliando seu leque, no caso, sonoro. Associou-se, desta feita, a Hari Maia (https://www.youtube.com/user/harimaia2/about) que, anteriormente produzia um som agressivo, agora compondo sons ambientais e experimentais (e até progressivos).
Posso dizer que a mixagem da voz de Ciberpajé com a sonoridade de Maia neste álbum Hiper-Real chegou ao ápice da técnica na sucessão de trabalhos da linha sonora de Franco, o Ciberpajé. Ademais, claro, não posso deixar de afirmar que este tipo de som é o que mais se afina com a estética que me compraz.
A primeira faixa, Pura Perfeição, tem uma tranqüilidade progressiva que muito me tocou. E ao final, dela, o aforismo fecha com a pureza declamada da essência cósmica!
Em O amor é sempre a meta, a segunda faixa, o Ciberpajé, em meio à sonoridade, nos toca com seu aforismo declamado. Esta, por sinal, uma faixa mais ambiental sonora, em que percebi que a partir de certo trecho até seu final insinua-se próximo da sonoridade desfilada pelo grupo alemão Tangerine Dream, que revolucionou fazendo um rock-progressivo eletrônico (e que também fez trilhas sonoras magníficas de vários filmes), perfazendo uma unidade sonora – e ao mesmo tempo complexa e rica – progredindo diversificadamente até findar aos seus quatro minutos e meio!
Em A Lua esplendorosa, mais uma vez Maia nos traz o som prog-ambiental, e nesta faixa, o Ciberpajé rasga com a potência sonora, coadunando sua voz perfeitamente ao ritmo musicado, quase beirando uma cantoria aforística! A mais contundente postação de voz de Franco no CD! E a riqueza sonora do musicista Hari Maia nos assombra novamente com uma beleza sonora inigualável e progressista!
Em A Criação Genuína, a voz aforística de Ciberpajé nos ensina como devemos proceder no processo criativo, a fim de que criemos o novo sem perturbações. Esta é uma faixa um pouco mais densa que as anteriores na sonoridade.
Por fim, a quinta faixa, A máquina do Lucro, resgata as críticas que Franco (o Ciberpajé) tem demonstrado em suas artes e suas pesquisas, no assombro que é o viver social arraigado na desconexão da natureza e o desgaste de cada um dos humanos que se destrói imerso na vivência engendrada por uma máquina de ilusão e que (n)os arruína aos poucos. A sonorização de Hari traz, desta feita, o som meio “maquinal”, com um tanto de distorção e que nos lembra o som de máquinas cujos sons nos admoestam. O recado final deste aforismo é apocalíptico, e ao mesmo tempo, viável, dadas as vicissitudes criadas pelo elemento humano, que engendrariam sua própria ruína. Esta última faixa é uma apoteose sonoro-ambiental com menos “doçura” que as anteriores, mas mesmo assim, essencial neste CD que como toda arte, nos avisa em sua estética, dos males que singramos. A beleza artística deste dueto e a poesia que nos enleva, ao mesmo tempo, expõe o lamaçal do mal que o humano-ser desenvolveu inconscientemente, à revelia da natura!
Espero, sinceramente, que este dueto Hari/Ciberpajé continue, e nos brinde com mais destes CDs maravilhosos[1]!
Para baixar as faixas ou o álbum, clique aqui: https://ciberpaje.bandcamp.com/album/m-quina-hiper-real - ao pedir o valor, você escolhe quanto, podendo ser até mesmo $0,00, pois o sistema aceita (ou, caso não esteja usando Spotify, também está disponível em outras plataformas assim como Deezer, Itunes, Bandcamp, Soundcloud. Escolha a sua favorita e ouça este instigante e belo trabalho - https://harimaiaprojetociberpaje.fanlink.to/maquinahiperreal)
Encarte 1 do CD
Para saber mais e ver a capa com as artes internas e letras, na técnica inovadora artística do Ciberpajé, acesse mais aqui: https://ciberpaje.blogspot.com/2020/11/lancamento-ouca-agora-ciberpaje-maquina.html?fbclid=IwAR0zSMoWlEGTC21i61kInvTW_i2h2NvApd-Jjbic7bX4UpWiS_9WBKZkVBo
Goiânia/GO, 16/11/2020
segunda-feira, 9 de novembro de 2020
O gato de Schrodinger das eleições
A imitação é natural dos símios e dos primatas e hominídeos. Na verdade, como somos gregários, tendemos a compartilhar de idéias também, em grupos. E grupos com tais idéias podem contradizer idéias de outros grupos (ou contradizer grupos com outras idéias). Tanto faz. O que me deixa ressabiado é irmos na vaga, a todo o instante. Eu também o faço, ou sucumbo a isso por vezes. Porém, como não tenho políticos de estimação e consigo enxergar que o sistema político é altamente suscetível à corrupção pelo próprio sistema ao qual é enfronhado, não deixo de notar as vibrações que a maioria nutre a cada mudança na política, nacional e/ou internacional. No Brasil, nada vai mudar, a meu ver, enquanto as regalias homéricas continuarem brindando nossa cafajestagem plenarista que sequer precisa do mínimo de formação educacional para concorrer e ser eleita. Bem, eu não me iludo também que o sistema eleitoral dos EUA possa ser o mais caótico do mundo e que obviamente deixa margens facilmente às fraudes, beneficiando ou não quaisquer candidatos. No Brasil, nosso sistema é melhor, mas também já denunciado como insuficiente e não vou reexplicar tudo de novo aqui. Quem se sentir compelido, pesquise o nome de Diego Aranha que é o especialista que denunciou tudo. E isto nada tem a ver com as figuras de Trump/Biden ou Lula/Bolsonaro, mas sim com tais sistemas eleitorários. Ou até tem, porque vou dizer algo aqui pra finalizar, que pode trazer ataques a mim, mas vou aceitar resignado: a maioria está contente porque caiu Trump e entrou Biden. Ok. Mas me faz pensar num paralelo que recentemente ocorreu ao nosso país: após muitas denúncias e claras malversações do erário público, grande parte do Brasil desejou a saída do PT (Lula/Dilma) e depois brindou a mudança para Bolsonaro (eu queria que o PT saísse, mas não votei e nem quis Bolsonaro em seu lugar). Saímos de algo ruim no financeiro para algo péssimo ao geral (incluindo o financeiro, pois vide dólar e inflação atual camuflada e animosidades por todo o lado). Desta feita, não me iludo: não vou brindar tanto a troca de poder nos EUA. Ainda bem que saiu Trump, mas isso não quer dizer que esta poderá resultar em melhoras ao mundo. Pode ser que sim, mas também que não, tal qual o experimento teórico quântico do gato de Schrödinger, em que ao inserir um felino numa caixa tendo a possibilidade dele acionar um mecanismo letal, possibilita ambos resultados ao mesmo tempo: um em que o gato morre, e outro em que ele continua vivo, mas simultaneamente (mais aqui: https://super.abril.com.br/mundo-estranho/o-que-e-o-gato-de-schrodinger/).
Outros links interessantes:
O gato de Shrodinger –
https://www.youtube.com/watch?v=pKEq8d_1pn4 ;
Sobre os salários homéricos de nossos políticos - https://conscienciasesociedades.blogspot.com/2020/03/pre-projeto-de-reforma-da-situacao.html?fbclid=IwAR2828fsPuSZZc2kqTtScvhHPo8MK_SPYtuo23NAqG1bMaqaqTaEb0RKP4w ; https://conscienciasesociedades.blogspot.com/2020/02/a-tal-da-reforma-politica-que-nunca.html?fbclid=IwAR0HfNzLaoGRVtc1wnfmTcutrMcJWhaHyV25Z78YUnGVEAey6a9lbejaNKI ;
Sobre as urnas no Brasil - http://conscienciasesociedades.blogspot.com/2014/08/peticao-para-reintegrar-o-art-5-lei-n.html ; http://conscienciasesociedades.blogspot.com/2014/08/urnas-fraudaveise-o-voce-fiscal.html ;
domingo, 25 de outubro de 2020
Ditadores e Ditaduras - uma visão acerca desses males numa HQ ficcional científica clássica!
Histórias
em Quadrinhos também podem levar à reflexão acurada. Aqui uma que muito me
influenciou, principalmente por trazer um excerto do livro "Desobediência
Civil" de Henry David Thoreau. Posto aqui a página de abertura da HQ “Arrependa-se, Arlequim!” Disse o
Sr. Tiquetaque, de Roy Thomas e Alex Nino e foi publicada na revista 3a.
Geração (Ed. RGE, n. 4, outubro de 1981). Esta HQ foi adaptada a partir de um
conto de Harlan Ellison. Uma HQ que tece crítica (e libelo) aos sistemas
escravagistas políticos e sistêmicos comerciais que sempre existiram (e
continuam existindo) face aos sistemas financeiros mundiais (e a ditadores e
amantes de ditaduras espalhados pelo orbe, incluindo Brasil).
Quem quiser lê-la inteira, reporte-se ao link do meu facebook cujo título do álbum é "Ditaduras e Ditadores". Link direto aqui: https://www.facebook.com/media/set/?vanity=gazy.andraus&set=a.10158774077256753.
Também escrevi um texto reflexivo relacionando um caso brasileiro ao tema desta HQ, tendo o publicado originalmente no site Internewwws: http://internewwws.atspace.com/2003/mt030610.html e depois ampliado o meu texto em 3 partes para o ImpulsoHQ: https://impulsohq.com/quadrinhos/arrependa-se-sr-coracao-disse-o-poderoso-cerebro-raciocinius-parte-1/; https://impulsohq.com/quadrinhos/arrependa-se-sr-coracao-disse-o-poderoso-cerebro-raciocinius-parte-2/ e https://impulsohq.com/quadrinhos/alem-do-coracao-e-do-raciocinius-parte-3/






























