Gazy Andraus
Ciberpajé (Edgar Franco) já se
tornou um símbolo da arte nacional underground
– ou contracultural (e vai se tornando cada vez mais relevante também no
exterior). Na verdade, este termo “udigrudi” ou mesmo “contracultura” já está
anacrônico, a meu ver, e carece de novas definições e asserções (ou
entendimentos). Talvez esta modernidade líquida de Bauman ou então, algo mais
ainda não tornado verbo! Mesmo porque as artes plurimidiáticas (ou
transmidiáticas) de Ciberpajé externalizam, via arte, a cultura geral atual com
seus questionamentos em todos os âmbitos – desde as situações político-sociais
aos estados psicológicos do ente humano!
Por isso, dizer que é contracultural não condiz com a acepção
de seu teor, por mais que o termo rivalize-se a uma cultura-padrão
pré-estabelecida, principalmente devido aos rápidos fatos que vão se sucedendo
aos humanos neste planeta.
Nesta esteira, Ciberpajé vem
conquistando lugar em áreas mistas das artes, incluindo a da musical
experimental, em que nesta paragem tem desenvolvido cada vez mais duetos,
empregando os aforismos. Estes, em sua contraparte existem anteriormente também
como HQForismos - histórias em quadrinhos com aforismas - idealizadas por
Danielle Barros (IV Sacerdotisa) e Edgar Franco (o Ciberpajé) que cada vez mais
espalham-se mais.
Nesta nova edição, intitulada de
“Pedras Flutuantes”, ele se junta à musicista Cell que também desenha, pinta e dança,
num dueto instrumental-sonoro inusitado!
A associação é explicada aqui:
Cell surpreendeu o Ciberpajé ao escolher um de seus
aforismos e musicá-lo livremente com sua voz, criando uma faixa atmosférica e
intimista, com melodia marcante e a beleza de seu timbre vocal singular. Ao
ouvir a incrível faixa - que é o terceiro aforismo do EP, o Ciberpajé convidou
Cell para realizarem mais 2 faixas a partir de aforismos selecionados por ela.
O Ciberpajé gravou as vozes dos dois aforismos e Cell criou duas novas músicas
com a mesma força e impacto da primeira.(https://ciberpaje.blogspot.com/2021/05/lancamento-ouca-agora-ciberpaje-pedras.html?fbclid=IwAR2tv8Hhs47BYVClhrvPlIH6bFQuz-lcxheW2vpOHPCA4Qqae9o33EIhNBs
)
Com relação às 3 faixas, que são
curtas, trazem em geral uma atmosfera mais “doce”, mas nem por isso ausentes de
tons metafóricos e reflexivos.
Particularmente, apreciei
sobremaneira o instrumental introspectivo da faixa I – A Beleza Silenciosa, a qual considero a melhor trilha das
três (incluindo a possante narração de Ciberpajé, que é seguida pela voz
sussurrante-cantante de Cell)! Mas a faixa aforística II – Exorcizar a crueldade também tem uma lúgubre beleza
impressionante. Por fim, a faixa III – Pedras Flutuantes, a primeira realizada,
embora a mais curta das trilhas, traz de maneira inusitada a voz de Cell
narrando um aforismo de Ciberpajé.
O CD tem pouco mais de cinco
minutos, mas exemplifica que é “nos pequenos frascos” que se encontram os mais
valorosos “perfumes”. Ou então, já que eu não me guio por tais produções
odoríferas humanas, eu diria que é nos pequenos seres (beija-flores, abelhas)
que se veem produções da natureza de extrema força e fragrância (como a
polinização e o mel)!
Mais um detalhe: Edgar Franco, o
Ciberpajé, é conhecido por apreciar sons desde os mais singelos aos mais
extremos (do Doom Metal, por
exemplo), e em geral, desde o início de sua banda Post Human Tantra, vem concebendo sons atmosféricos e duetos que
extravasam seu potencial sonoro. Este CD é o primeiro que vejo integral com uma
doçura “pungente”, que não destoa de toda sua produção - ao contrário, ratifica
o que afirmei - que Ciberpajé se realoca de um extremo a outro, passando por
todas as nuances!
Por fim, Ciberpajé não parou também
neste período pandêmico, tendo aliás produzido incessantemente. Na verdade, até
agora são 35 EPs e 1 CD, com bandas das cinco regiões brasileiras e do
exterior, conforme ele mesmo explana em seu blog.
Artes
do CD. Vale
ressaltar que Ciberpajé mantém o espírito que envolvia os LPs, especialmente de
rock progressivo como os do Yes: uma arte visual “viajante” que se
coaduna com a atmosfera sonora produzida, a levar a mente de quem as absorve,
para além do lugar-comum! É a isto que também serve a arte!
Para saber mais, ver a capa com
as artes internas e letras, na técnica inovadora artística do Ciberpajé, acesse
aqui: https://ciberpaje.blogspot.com/2021/05/lancamento-ouca-agora-ciberpaje-pedras.html?fbclid=IwAR2tv8Hhs47BYVClhrvPlIH6bFQuz-lcxheW2vpOHPCA4Qqae9o33EIhNBs
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E aqui pra ouvir e baixar o cd: https://ciberpaje.bandcamp.com/album/pedras-flutuantes.
Um detalhe: para ouvir cada faixa, basta clicar nelas, mas para baixá-las (ou o
CD), pode-se clicar em “Buy Digital Álbum” comprá-lo no valor de 0 (zero) dólar,
pois o sistema Bandcamp o vende a
este preço também. Clicando assim, vc o baixa grátis inteiro e zipado.
Esta resenha, eu a escrevi
inteira sob a audição do CD Pedras
Flutuantes!
Boa audição-visual!
Gazy
Andraus, 18 de maio2021