quinta-feira, 17 de abril de 2014

Resenha sobre Biocyberdrama Saga

Edgar Franco me presenteou com seu álbum (magnificamente ilustrado por Mozart Couto), BioCyberDrama Saga, o qual li com extremada reflexão. Pediu-me para resenhar a publicação, mas eu lhe disse que precisaria de tempo para reler a obra e abordar com cuidado. Porém, o tempo passou e não consegui reler ainda. Outras resenhas foram pipocando pela rede, incluindo uma excepcionalmente pormenorizada de Danielle Barros. Porém, é claro para mim que jamais uma obra se esgota, tanto na leitura e entendimento, como nos dados que se obtêm ao pesquisá-la. E além disso, cada um de nós tem uma visão pormenorizada, particular, que junto das visões de outrem, soma e amplifica os vieses a serem contemplados, enriquecendo-nos em conhecimento e reflexão. Aqui apresento a vocês, então, a resenha de Thaisa Maia, que vem suprir a lacuna de eu ainda não ter elaborado uma para essa grandiosa obra impactante. A resenha de Thaisa traz várias considerações interessantes da obra de Franco e Couto, mas particularmente me detive mais ao final, quando ela traz uma abordagem que é essencial à obra, e a permeia, coincidindo à realidade humana: o descortinar do item principal que perpassa a mensagem perene do álbum BioCyberDrama Saga, em relação à crítica que o autor artista multimídia e Ciberpajé Edgar Franco nos diagnostica sutilmente faltar em nossa civilização (e na “futura” possível que ele criara em sua HQ, como consequência desse mal desenvolvimento da atual), e que deixarei de mencionar aqui para que descubram ao lerem (e refletirem) junto às palavras da poeta Thaisa Maia, quem descortinou e nos trouxe esse item, ricamente ilustrado com reflexões com base em Fritjof Capra e Osho. Apresento-lhes, então, em meu blog, o texto de Maia, a seguir:

'Enquanto novas e complexas tecnologias vêm cada vez mais sendo incorporadas ao cotidiano humano e aos próprios humanos, a imensurável sabedoria cósmica manifesta pelo contato com a nossa essência aparentemente vem sendo esquecida e perdida. Sabedoria esta capaz de transcender conhecimentos científicos, solucionar conflitos, problemas e responder dúvidas que emergem do coração humano.
Como essência da HQ e de sua poética, em Hightech, a intuição é resgatada em sua importância através do último xamã existente na Terra no mundo ficcional pós-humano de Edgar Franco. Essa tecnologia quase extinta e irreproduzível advinda do âmago humano torna-se, senão essencial, a paz de uma nova humanidade permeada por males e perturbações que contrariam a racionalidade e clamam pelas soluções da voz interior. Quando com crises, conflitos e doenças, a população desse universo hipertecnológico convida o índio-xamã com sua ancestral sabedoria e magia. Eu diria que para além, é um convite ao leitor, a reconexão à sua verdadeira natureza de onde provêm conhecimentos de eras.
Franco aborda um importante conceito de seu universo ficcional trabalhado em Hightech, a telemítica (telemática + mítico), em que o intrínseco aspecto transcendente do homem, vive e sobrevive com elementos míticos e arquetípicos presentes em um espaço hipertecnológico. Foi na HQ filosófica BiocyberDrame lançada em 2000, que este como os demais conceitos surgem para dar luz ao seu universo ficcional, Aurora Pós-Humana. Influenciado por artistas, filósofos e cientistas pós-humanos, Edgar Franco retrata em uma curta narrativa de histórias em quadrinhos suas reflexões, apresentando desenhos detalhados, expressivos e instigantes e textos poéticos e viscerais.
A HQ Biocyberdrame traz o vislumbre de um mundo hipertecnológico futuro, mas que em sua conclusão revela que inquietantes dilemas existenciais ainda perpetuam. A vida permanece como um inexplicável mistério a racionalidade e a avançada ciência de uma pós- humanidade, transcendendo as percepções de uma consciência limitada e os valores a ela impostos. A alusão da capa ao clássico verso de Hamlet, "Ser ou não ser, eis a questão", recontextualizado para esse mundo futuro, a meu ver, reafirma essa visão. Continuam  a emergir do coração pós-humano as primordiais dúvidas humanas que trazem questionamentos sobre o enigma-existência e o existir, o que é ser e se somos ou não. E é em torno desses questionamentos que posteriormente a emocionante BioCyberdrama Saga se constrói.

Após receber um exemplar da HQ Biocyberdrame lançada na forma de fanzine, o notável desenhista de quadrinhos Mozart Couto convida Edgar Franco - outro notável desenhista de quadrinhos e grande múltiplo artista - para realizarem uma parceria que então origem ao álbum, sendo a parte I lançada em 2003 e a II e III, dez anos após. Ao todo são 250 páginas que o compõe, contando com um minucioso e longo prefácio de Edgar Franco, marcante apresentação do saudoso Elydio Santos Neto, posfácio e surpreendentes anexos. Os anexos, além de conterem na íntegra as incríveis HQ Hightech e Biocyberdrame, trazem a HQ Igualdade e páginas do processo criativo dos autores. Em Igualdade é também evidente a presença do misticismo pelo ritual religioso de batismo de um bebê pós-humano.
Como e admiradora da obra de Edgar Franco, achei conveniente registrar minhas impressões sobre um álbum magistral e mágico, que encanta e nos envolve, como também inquieta, conduzindo-nos em sua história a enriquecedoras reflexões sobre a condição humana em uma pós-humanidade. Biocyberdrama Saga não foge do mundo atual por retratar um mundo futuro. Ao contrário de estar distante de nossa realidade, a problematiza, a questiona e leva-nos a refletir sobre o mundo que vivemos e que possuímos em nosso interior. É uma narrativa permeada por sentimentos e emoções humanas expressados por seus personagens, em que dela, também nos sentimos parte.
Mas necessário dizer que como autêntica obra de ficção científica, Biocyberdrama Saga provavelmente antecipa uma realidade próxima, concretizando proposições de transhumanistas e ciberartistas que em suas pesquisas, experiências científicas e manifestações artísticas anunciam um novo momento, o de ruptura com o humano. Nessa nova fase pós-humana, os avanços tecnocientíficos trazem significativas mudanças de valores e comportamento, como por exemplo, a rejeição do conceito de paternidade por uma das espécies, os tecnogenéticos, que subvertem as relações conjugais permitindo a união de três ou quatro seres. Novos tecnogenéticos são gerados apenas artificialmente, mediante encomendas aos laboratórios.
Franco, através de sua arte, certamente demonstra ver e ir além, também por suas experiências em múltiplas realidades e dimensões, que transcendem a limitada percepção da realidade ordinária. É um explorador do cosmos, capaz de trazer um universo de novas possibilidades, provavelmente por muitos nunca imaginadas. E Biocyberdrama Saga, como uma de suas mais importantes obras, traz parte desse espírito incomum, aventureiro e de grande sabedoria. 
Pelos detalhados cenários e instigantes criaturas pós-humanas ilustrados por Couto, facilmente somos ambientados no universo da Aurora Pós-Humana retratado na narrativa, em
que o natural e artificial se fundem, em que as fronteiras entre a carne e máquina são diluídas apesar daqueles que ainda insistem em conservarem a forma humana, entre eles, Antônio Euclides, um jovem resistente mas que possui um inquietante dilema: tornar-se pós-humano (extropiano ou tecnogenético), ou permanecer resistente? E é por esse dilema que a saga deste protagonista então se inicia. 
Ao imergirmos em Biocyberdrama Saga, percebemos uma pós-humanidade perturbada e dividida pelos constantes conflitos e disputas de poder entre as espécies. Extropianos e tecnogenéticos competem por novos adeptos, tornando a cidade-estado Thule uma verdadeira zona de guerra. E os quase extintos humanos chamados de resistentes, lutam pela conservação da espécie. Perpetua o egocentrismo em meio a avançada ciência e tecnologia, o pouco desenvolvimento da essência apesar do grande progresso da racionalidade, como problematiza Capra em seu livro "O Ponto de Mutação", em relação a nossa contemporaneidade:

“Nosso progresso, portanto, foi uma questão predominantemente racional e intelectual, e essa evolução unilateral atingiu agora um estágio alarmante, uma situação tão paradoxal que beira a insanidade. Podemos controlar os pousos suaves de espaçonaves em planetas distantes, mas somos incapazes de controlar a fumaça poluente expelida por nossos automóveis e nossas fábricas. Propomos a instalação de comunidades utópicas em gigantescas colônias espaciais, mas não podemos administrar nossas cidades. O mundo dos negócios faz-nos acreditar que o fato de gigantescas indústrias produzirem alimentos especiais para cachorros e cosméticos é um sinal de nosso elevado padrão de vida, enquanto os economistas tentam dizer-nos que não dispomos de recursos para enfrentar os custos de uma adequada assistência à saúde, os gastos com educação ou transportes públicos. A ciência médica e a farmacologia estão pondo em perigo nossa saúde, e o Departamento de Defesa tornou-se a maior ameaça à segurança nacional. São esses os resultados da exagerada ênfase dada ao nosso lado yang, ou masculino — conhecimento racional, análise, expansão —, e da negligência a que ficou sujeito o nosso lado yin, ou feminino — sabedoria intuitiva, síntese e consciência ecológica.”

A eugenia genética propagada pelas espécies pós-humanas através de seus tecnocultos, é se não, uma equivocada visão de que possível seria uma iluminação coletiva por meio de recursos tecnológicos, partindo de que o desenvolvimento científico estaria diretamente ligado a essencial revolução interna, do indivíduo. Como nota-se, por exemplo, através do discurso do líder tecnogenético radical Rosen, - logo no início da narrativa - em que nele prega a absoluta destruição de extropianos para completarem a “evolução total”, isto é, atingirem a forma totêmica de seres que resgatam os mitos imemoriais por meio da hibridização e da biogenética.
Já os extropianos, ao que indica, em sua forma final tornam-se meras “entidades mentais” ao transferirem a consciência para chips de computador, ávidos por conhecimento após definitivamente se desconectarem da sabedoria intuitiva inerente a essência. Dessa forma, muitos chegam a cometer o “extrosuicídio”, um auto desligamento.
Em alguns aspectos, identifiquei-me com a personagem tecnogenética Orlane, principalmente por sua coragem e força interior, mas desaprovando sua atitude em se modificar fisicamente por causa de Antônio. Uma mudança externa incapaz de resgatar a harmonia interna após o rancor gerado pela rejeição do personagem, preso a tradição de sua família resistente, sendo somente o verdadeiro perdão capaz de reatar os laços entre eles.
Antônio Euclides é o único que de fato demonstra revolucionar-se ao longo de sua jornada por esse instigante universo da Aurora. Antônio, que de jovem aberto e pacífico, passa a liderar um arraial de resistentes radicais e letais atentados contra as demais espécies, é resgatado pela essencial e transformadora força do amor incondicional, sendo ele, o que nos torna unos com a existência. O mito ômega, o ser pós-humano prestes a nascer retratado ao fim da narrativa e que contêm todas as espécies, é provavelmente o símbolo da unidade gerada por este amor e o fim das disputas de poder; é o símbolo da "maior alquimia", em sua pureza, como o grande mestre OSHO declara no texto "A maior alquimia": "O amor é a maior alquimia. Ele transforma metais em ouro." É, portanto, provavelmente, a pedra filosofal que devemos buscar.'

Thaisa Maia Gonçalves Pereira é estudante de Letras – Estudos Literários na UFG. Escreve poesias e desenha, toca e compõe, tendo elaborado o fanzine “Alvorescer” que já se encontra no no. 3.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

O grito nas ruas - para um país com respiro e fraternidade!

Não fico contente com as violências se multiplicando no Brasil, e das ações, tanto da polícia com violências exageradas mostrando o despreparo dela, bem como dos tais Black-blocs dos quais ainda não identifico quais seus objetivos verdadeiramente. Mas uma coisa me deixa finalmente satisfeito: que de 2012 pra cá, a população brasileira expressa cada vez mais sua insatisfação, após anos e anos sendo pisoteada pela classe negligente dos políticos e sua corrupção institucionalizada! Assim, este ano, culminamos com uma Copa a acontecer (e os Estádios elefantes-brancos feitos) e as eleições via urnas eletrônicas facilmente manipuláveis e fraudáveis (http://www.peticaopublica.com.br/pview.aspx?pi=BR69554), em que se mostra cada vez mais, que a população não vai mais se calar e continuará durante 2014 inteiro, dando trabalho para a presidente, seus ministros e os políticos em geral, expondo que eles não ficarão sossegados como dantes. Dessa vez, podem continuar a ganhar os milhares de reais por mês via dinheiro suado de sua população, fingindo que estão trabalhando corretamente para o povo, e podem vociferar justificando os eventos que estão fingindo trazer melhoras ao país, mas não terão calma e tranqüilidade, e cada vez mais serão desacreditados, porque continuarão sendo peitados e denunciados como a corja mais suja da sociedade a quem deveriam prestar contas e auxílio! Sim, me jubilo em saber que agora, eles não mais descansam suas consciências, pois que estas estão sendo obrigatoriamente (ainda que não o queiram) acossadas, sacudidas e eles mesmos sendo desacreditados a todo instante pelo clamor e brado desse povo retumbante (do qual eu também faço parte), que não mais suporta as agruras dessa vida social pungente e sórdida a que são submetidos ano após ano, mês após mês, dia após dia, hora após hora, segundo e nano-segundo a segundo e nano-segundo em intermináveis sofrimentos em todas as áreas que deveriam servir para dirimir seus esforços para que realizassem um trabalho mais digno e salutar! Mas não, estes cidadãos que fazem o país são espezinhados e tratados como escravos dum sistema, em que o salário mínimo é minimizado astronomicamente em relação ao salário máximo dos políticos (de uns poucos 700 reais ao bolso de um José Brasil aos mais de 130 mil reais com as verbas para o bolso de um Deputado Assombroso Traíra da Silva). Então, reitero: apetece-me saber que os brasileiros se levantaram, estão reclamando, e não deixarão os escalões da política descansarem para apreciarem suas receitas advindas do soldo civil que a população tem que despender a todo instante para alimentar a tal máquina punitiva política que deveria devolver em prestações de serviços decentes, mas ao invés, refestela-se utilizando disso como os porcos o fazem num chiqueiro! Mas agora, estes porcos estão sendo importunados a todo instante...para que saiam de onde estão, para que cessem seus regozijos auto-ensandecidos, para que se banhem e se lavem, e venham fazer parte da vida social de fora desse chiqueiro luxuosamente luxuriante. E, claro, antes que me acusem de falar que todos os políticos estão no mesmo rol, obviamente sei que alguns poucos têm consciência e estão do lado da população, embora talvez não consigam fazer muito. Mas mesmo esses, têm que se lembrar que os salários homéricos que ganham, em questão de ética e moral, são imorais e aéticos, certamente, em face ao que recebe um assalariado mínimo e em face ao que é o Brasil! Só quando tal consciência começar a modificar tal estrutura é que eu iniciarei a minimizar minhas contundentes críticas a esse setor que se tornou o algoz do cidadão comum: o setor político! E em especial, claro, aquele no qual vivo, o brasileiro! Espero, sinceramente que, dado o clamor do povo, as estruturas tanto psíquicas como físicas da política nacional (dos seus políticos), comecem a dar a vez à empatia e ao bom senso, e ao principal que deve(ria) existir no planeta: ao fraterno, que, ao que parece, político algum sequer pensou ser importante implantar e reconhecer!
Aqui um fanzine (do saudoso amigo fraterno e educador Elydio dos Santos Neto): revista independente que traz a irmandade e fraternidade, apenas nas trocas de ideias, ideais e camaradagem! Sem a questão de lucros ou outras demandas. Será que se os políticos aprendessem a fazer fanzines poderiam modificar suas mentes e aprender a desenvolver a empatia e o senso fraterno?


Gazy Andraus, S.V., 25/02/14

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

10 motivos de porque eu não voto em ninguém no Brasil:

1-a obrigatoriedade ao comparecimento às urnas infringe meu direito como cidadão de ter a opção de ir ou não às urnas: por isso, como protesto, eu anulo meu voto digitando “0000” (zeros);
2-a obrigatoriedade, a meu ver, facilita a manipulação: se sou obrigado a comparecer e a votar, ao que o Sr. Político da Silva me promete um quinhão, me vejo obrigado a honrar meu compromisso e lhe dar meu voto;
3-a maioria da população, que infelizmente foi mal educada e é mal informada, leva “cola” para votar: se se esquecer da cola, ou anotar errado, a votação pode ser a qualquer um num momento de pressa e esquecimento, pois com tantos “santinhos” espalhados no caminho até a  escola em que vai votar, recolhe algum e pensa que está obrigado a votar num nome, qualquer que o seja (pois além de pouco estimulado a votar pelo botão branco, não é avisado que pode anular);
4-o salário é amoralmente exagerado: somado aos R$26000,00 mais os adicionais, perfaz um hollerith mensal que ultrapassa os absurdos R$126.000,00!!! Num país em que o salário mínimo nem chega aos R$700,00, beira um valor acima do surreal e que é notadamente amoral – e que a mim é claramente ilegal.
5-a votação de deputados e vereadores é feita pelo sistema proporcional, em que as vagas se distribuem de acordo com os votos por cada partido, fazendo muitos se elegerem sem merecerem, pois com poucos votos, e à revelia, portanto, da votação da maioria da população; com isso, há manobras que trazem pessoas conhecidas que servem de puxadores de votos, arrastando os outros que jamais seriam eleitos se de outra forma;
6- a maior parte dos candidatos têm péssima formação e são incapazes de localizar, por exemplo, onde fica a região norte, se a eles for mostrado um mapa;
7-e mais: não têm leitura e sequer sabem elaborar projetos (compram projetos e copiam para dizer que fizeram);
8-ademais, pensam que estão na política como profissão: portanto, sem consciência alguma de que estão como políticos representando a população;
9-o sistema político é tão contaminado que não é possível trabalhar de acordo com consciência, ainda que honesto ou com vontade de exercer seu cargo de maneira idônea, pois será impedido, coagido e se tornará corrompido, mesmo que à revelia;
10-acredito numa nova humanidade que não será regida por esse sistema (e sim, ou outro condizente com uma consciência sistêmica ampla), e já o estou vivendo, ainda que mentalmente, para que se plasme em realidade!


Gazy Andraus, S.V., 16/12/2013


sábado, 14 de dezembro de 2013

A tal da Lei complementar absurda 665/11

Aqui anexei a lei complementar absurda, em que o ex-prefeito Tércio Garcia, de S. Vicente-SP, assinou, para que todos os pgtos referentes à prefeitura (incluindo os da dívida ativa), cobrassem dos cidadãos os pgtos de cada folha de cada boleto no valor de R$2,67, incidindo em uma cobrança abusiva e que deveria ser na verdade repassada à própria prefeitura, ou que ela desse outras possibilidades de quem quisesse pagar sem ter que sofrer a oneração dos boletos! Aos cidadãos de São Vicente, já fiz nova reclamação à Prefeitura atual, já postei no reclameaqui e a alguns jornais, e em breve procedo ao Ministério Público Federal! 
http://www.saovicente.sp.gov.br/webservicos/leis/Lei%20Complementar%20665.11.pdf

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

IPTU de São Vicente e cobrança indevida de boleto

Caros leitores. Vide minha carta remetida hoje ao prefeito da Comarca de São Vicente a respeito da diminuição do desconto do pgto à vista do IPTU - um dos mais, senão o mais caro, da região - e o absurdo de uma Lei complementar que inventaram em 2011 ferindo o CDC em que não se poderia cobrar as folhas de boleto, além da cobrança devida - no caso, o valor do IPTU! Aos poucos, vou me cansando dessa humanidade, em relação à manutenção de idoneidade moral e ética! (Gazy)

Caro prefeito

Novamente, venho por meio deste veículo registrar meu descontentamento com a Prefeitura de São Vicente. Ano retrasado eu reclamara do pequeno desconto de 5% que era dado aos munícipes para o pagamento integral do IPTU, e então ampliaram para 8% ao ano de 2012. Então, paguei à vista, entendendo que a Prefeitura se sensibilizara e raciocinara coerentemente que, alguns munícipes preferem pagar à vista, se o desconto for coerente. Agora, eis que o desconto cai novamente para 7%. Aparentemente, um por cento não seria muito, mas para um munícipe que trabalha anualmente como professor e economiza dinheiro para tais pagamentos, isso incide muito, pois também houve um pequeno aumento no valor do IPTU. Bem, lamento isso como cidadão vicentino, e já não sei se este ano pagarei duma vez, devido à queda do índice de desconto - que vejo como descabido: ora, se a Prefeitura quer e prefere incentivar tal pagamento à vista, como acredito, por ter visto divulgação em banners espalhados na cidade, porque ela diminuiu o desconto, novamente?
Outra queixa que faço, e que também incide num valor que sobrecarrega àqueles que não podem pagar integralmente com desconto, é a descabida cobrança por cada folha do carnê de IPTU no valor individual de R$2,67, numa lei complementar feita pelos vereadores em 2011, e que fere a Lei Paulista n. 14.463, que começou a vigorar em 25/05/11(http://consumidormoderno.uol.com.br/cdc-codigo-de-defesa-do-consumidor/lei-paulista-proibe-cobranca-de-taxa-em-boleto-bancario), afora ferir o CDC art.39, V (http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8078.htm) (vide mais aqui: http://www.jornaldosite.com.br/materias/cash/anteriores/edicao146/cash146_09.htm
“"a cobrança de despesas de emissão de boleto bancário ao consumidor viola frontalmente o disposto no artigo 39 do Código de Defesa do Consumidor". O artigo veta ao fornecedor de produtos e serviços "exigir do consumidor vantagem manifestamente excessiva".Contrato - A cobrança pelo boleto só pode ser feita se estiver prevista em contrato e o consumidor concordar com ela, segundo o Procon. Para pagar nos bancos, vale a mesma regra: se a cobrança pelo boleto estiver prevista no contrato, pode ser efetuada.”), em que incide em dupla remuneração e se torna cobrança abusiva que na verdade deveria ser feita entre o banco e a prefeitura, e não repassada abusivamente aos munícipes. Essa cobrança caracteriza um ônus anual a cada munícipe no valor de R$29,37 (se pago mensalmente o boleto do IPTU) e de R$R$2,67 (se pago no valor único com o desconto de 8%). Assim, tal desconto dos7% na prática é até menor, e se sem o desconto, o valor do IPTU se configura até maior do que apresentado (lembrando que São Vicente promove um valor de IPTU dos mais altos da região – senão o mais alto – até mesmo em proporção às outras cidades brasileiras).
sublinhei em azul a cobrança indevida

Estou muito desapontado com tais rumos na civilidade do município de São Vicente, estendendo tal decepção à própria sociedade como um todo, em especial aos órgãos que supostamente representam o povo e deveriam gerenciar a verba advinda dos tributos à melhora de qualidade de vida, em proporcionalidade ao status da população – que no caso, a vicentina, é das mais carentes da baixada santista; pois todos parecem omitir a licitude das ações e encobrirem as leis com outras complementares que não deveriam sequer ser cogitadas por membros eleitos pela população que deveriam se ater a trabalhar em prol aos munícipes e não para, aparentemente, extorquir-lhes em manobras sub-reptícias criando leis complementares que ferem outras maiores estaduais e/ou nacionais, como têm supostamente me feito supor!
Sem mais, encerro essa missiva, reiterando minha total insatisfação com tais rumos na política nacional, e em especial nas cobranças municipais de IPTU e dos boletos, aqui em São Vicente.


Insatisfeito, finalizo aqui

Prof. Dr. Gazy Andraus

São Vicente, 13/12/2013

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

E a Águia voou!




Em 2006, apresentado pelo professor Waldomiro Vergueiro, conheci o professor Elydio dos Santos Neto numa das reuniões do Observatório de HQ da USP. A primeira impressão foi a de um ser humano bem humorado e benquisto! Assim que lhe entreguei meu cartão-zine, foi que ganhei mais ainda a confiança e a amizade inabalável que percorreu entre Elydio Grande Alma e minha pessoa. Foi porque ele leu no meu cartão, minha identificação: “Gazy Andraus: ser humano” antes de qualquer denominação profissional. Ele gostou! Elydio é daquelas almas puras que estabelecem na vida a prioridade do humano, mas atrelado a tal, a humanidade amiga, fraterna, antes do ser técnico, frio e/ou arrogante. Para ele, minha apresentação mostrou-se promissora. Ele apostou nisso, e creio que ambos conquistamos uma vida de amizade amistosa, sólida, fraterna e sobretudo criativamente prolífica. Foram 7 anos que passaram como uma fase em que eu aprendi a ser mais humano ainda, pois Elydio, sempre com o sorriso fraterno e o auxílio inteligentemente sábio, me mantinha atento à importância do autoconhecimento para me tornar um humano melhor. Ele me ajudou muito a que eu descobrisse a importância das histórias de vida como autoconhecimento e aplicados na didática. Foi membro da banca de meu doutoramento (e muito me ajudou na finalização da tese, com ampliação da importância que as HQs traziam para a mente criativa). Elydio me levou a conhecer o professor Ruy Cesar do Espírito Santo, que também prioriza o autoconhecimento como aprimoramento evolutivo  e seu grupo de pesquisa INTERESPE. Elydio me dizia que aprendeu muito comigo. Mas na verdade, o aprendizado maior foi meu: a humanidade dele me projetou mais ainda pra ver o humano como potencialmente amoroso e digno, como eu ainda não havia visto de tal monta! Elydio fez aulas de desenho de quadrinhos em escolas, aprimorou seu traço e vontade de desenhar. Ele não só foi teórico, mas praticou a criação de desenhos e histórias em quadrinhos. Viu nos fanzines um caminho irrigado para a plantação de autorias criativas! Chegou com a ideia dos Biograficzines, me convidando a auxiliá-lo a falar dos zines para seus alunos de mestrado em Pedagogia da UMESP! Resultaram depois várias associações entre mim e ele, então, quando fui convidado a escrever um texto sobre os fanzines pela Cellina Muniz, chamei o Elydio pra escrevermos em dupla sobre nossa experiência didática acerca dos Biograficzines que ele implantou na sua docência! E daí o Elydio criou também seus Biograficzines com suas HQs poéticas e de histórias de vida cheias de simbolismo.
Aquilo tudo rendeu, germinou e alastrou-se...ficamos honrados várias vezes em participar de eventos de fanzines como o Ugrapress, em que os fanzineiros gostavam de vê-lo falar, com calma, conhecimento e ao mesmo tempo, abertura. Eles diziam que era ótimo ter-nos, que somos do meio acadêmico, em meio aos zineiros, pois isso não só dava respaldo à importância do fanzinato, como também ampliava a visão que os outros tinham dos zines, já que Elydio trazia mais saberes acadêmicos mesclados às criativas aberturas fanzineiras.
Elydio me visitou algumas vezes, e conheceu meu pai. E quando meu pai se foi, ele veio com Marta me dar força e energia naquele difícil momento...mas mais do que isso, ele teve visões inusitadas de como meu pai estava na sua nova jornada, o que muito me deixou contente! (se tiver curiosidade, leia aqui: http://www.ibacbr.com.br/?dir=artigos&pag=013&opc=0135).
Elydio valorizou meu trabalho a um nível que eu não mais atinava: ele analisou minhas HQs, percebendo nuances e significados onde eu não tinha percebido (devido à criação ser intuitiva), como quando ligou os 9 meses de gestação aos 9 fios que prendiam um ser desenhado na minha HQ “Casulo”.
Ele fez por mim o que os sábios e guias fazem, sem nos deixar perceber que eles estão nos educando e nos guiando, a um caminhar mais prolífico e ético...
Os valores que ele trazia eram realmente imensos, como as alegrias de compartilhar momentos com ele (e muitas outras vezes, quando juntávamos eu, Edgar Franco e Elydio, seja em eventos acadêmicos, seja em outras ocasiões, em São Paulo, São Caetano, Goiânia, Recife etc, como um trio realmente jovial e criativo, ao que também transparecia aos olhos de todos – tamanha era sua energia espiritual, que meu afilhado Heitor, em Goiânia, quando o conheceu, apelidou-o de “Buda”).
Elydio ainda escreveu um livro sobre minhas HQs, fato que corroborou com meu apreço por ele, já que via nas minhas HQs um valor de arte e significado que muito ampliava meu autoconhecimento. E, embora em pleno tratamento contra a doença que o acometia, veio no começo do ano para minha residência a fim de terminarmos a finalização e revisão do livro. Veio de ônibus, voltou de ônibus, com a alegria e a força que tinha e emanava! Criatura ímpar, com disposição e jovialidade! Suas falas e aulas eram comedidas, pontuadas, sempre trazendo o melhor do ser humano ao ser humano...
Por fim, sem me estender mais, devo registrar alguns fatos ocorridos nessa última semana, em especial, o sábado último do dia 28/09/2013, quando para casa dele e de Marta me conduzi, a fim de me juntar a eles e seus outros convidados na comemoração de seu aniversário (que verdadeiramente havia sido no dia 26). Lá chegando vi Elydio deitado ao sofá, e cercado de amigos e parentes, logo o presenteei: numa caixa de papelão de correio, cobri de imagens de HQs e pedaços de zines, montada especialmente para a ocasião, tendo eu nela inserido algumas revistas de HQs, mas também um desenho que fiz especialmente ao nobre e querido aniversariante, que a tendo aberto e surpreso, apreciou ambos: a caixa e o desenho, sendo que este último, o fiz entre os dias 27 e 28, realizado pelo impulso de dar uma arte original ao meu amigo, como presente! Simbolicamente nele, aparece uma luz vindo (ou saindo) do peito de um personagem, como uma rajada solar (ou algo que o valha), e sobre a cabeça da figura, resta imponente também a cabeça de uma águia, animal que ele tanto estimava (vide cópia de minha arte em anexo). 

Naquela reunião final, Elydio se mostrou aberto, e apesar de estar cansado, se sentou e cantou e durante um determinado momento, agradeceu a todas as presenças, nomeando cada um, e dizendo o valor de cada pessoa ali presente para sua vida.
Foi depois que a reunião terminara que Elydio começou a se sentir mal, e o levaram ao pronto-socorro, e por fim ao hospital...mas esses detalhes já não importam aqui, pois foi claro pra mim que naquele dia Elydio teve reunidos com ele, pessoas que simbolizaram a sua despedida, a qual (in)conscientemente fez, de uma maneira humana e tal como um sábio tendo a seus pés pessoas atentas a escutá-lo!
E foi então que, assim como o símbolo que Elydio mais gostava, a águia, ele, afinal, voou!
Mas nós que aqui ficamos, não estamos desamparados. Tal qual se manifesta no desenho, ele como águia permanece em espírito sobre todos os humanos, orientando e comungando para uma humanidade cada vez melhor!
Voe, Elydio! Singre os céus da vida ignota (para nós), mas amplificada e bela (para si)!

Abraço do seu grande amigo, que muito te estima
Gazy, um humano! (04/10/2013)