domingo, 9 de setembro de 2012

Inconseqüência e inconsciência






Voltei a São Vicente, vindo de São Paulo na noite de quarta-feira, dia 5 de setembro de 2012. O ônibus levou quase uma hora a mais para chegar ao centro da cidade, pois havia uma aglomeração de caminhões na entrada de Santos, depois de Cubatão, devido talvez à antevéspera de feriado da independência. Pois, ao chegar caminhando no centro da Primeira Vila Fundada (e “afundada” politicamente falando) do Brasil, à Praça Barão do Rio Branco, pouco depois das 22hs, qual não foi meu susto e indignação ao me deparar com tamanha sujeira nas ruas e na praça, cujo movimento cotidiano é intenso durante o dia. Sempre me deparo com a sujeira, mas nesse dia, excluindo-se que não era sábado e nem feriado ainda, estava demais. Lembrei-me de quando estive no Líbano em 2010 e presenciei um país também com bastante lixo em algumas localidades: lá, devido à guerra civil que durou 20 anos, a população se descuidou de questões essenciais, e muitos que foram morar depois, apesar de religiosos, parece que não se preocupam nos quesitos mais básicos de limpeza e organização (para que serve a religião, então? Só para cultuar Deus – ou que quer que tenha nome essa energia universal - e se descuidar do resto?). Assim, quando voltei à brasilidade, meu choque foi perceber que aqui, sem guerra mesmo a se justificar, a população agia igual, sujando as calçadas e o que pudesse, numa clara demonstração que independe o país, a população e a religiosidade (pois aqui também, um povo que se diz católico, mas que não cuida da limpeza), e sim, a educação perdida (claro, há culpa numa governabilidade corrompida que não colabora na educação e na saúde). Para mim, quando se professa qualquer que seja a religiosidade, isto se bastaria para servir de prumo e orientação mais básica, no quesito de limpeza e organização a fim de uma manutenção de convívio pleno e salutar entre as pessoas de uma nação. Vide que ateus, por não se direcionarem à nenhuma espiritualidade, ainda assim, se pautam por uma índole racional e conseqüente, e portanto, sabem respeitar as pessoas e cidades (falo isso, por ter um ou outro amigo ateu possuidores de um caráter excepcional). Mas, afinal, percebi que isso independe: tanto no Líbano como aqui no Brasil, a massa ignara de pessoas não têm consciência formada!
O sistema capitalista as faz gastarem a esmo, sem raciocinarem, sem profundidade, e apenas para aplacar instantaneamente seus desejos consumistas, egóicos e de gula, mascarando um pobre e deficiente desenvolvimento interno de estado psicológico, em que suas agruras, temores, humores e desequilíbrios são trocados por rápidos e fugazes momentos de prazer consumista desenfreado. O educador Ruy Cezar do Espírito Santo costuma advertir que falta um desenvolvimento em que as pessoas saibam conectar seu ego a seu Self, de acordo com a premissa de Carl Gustav Jung. Eu concordo: o ego parece primário, infantil e astuto, e deveria servir ao Self, que é um “Eu” mais sábio do ser humano, pois mais divinizado, complexo, quântico e atinente ao universo (ser univérsico como diria Huberto Rohden). Sim, como não sabemos disso, e não temos estímulos de educação para tal (de “educere”, que  significa trazer de dentro para o afloramento de uma educação que jaz em cada um de nós adormecida), aliado ao pouco que ganhamos nos salários suados, somos estimulados aos gastos ensandecidos para aplacar a frágil estrutura psicológica (obviamente, eu me encontro nessa também, sempre tentando debelar essa falta). Até aí é uma etapa do problema: a outra é o mazelo com que lidam com os refugos de suas aquisições, em especial as embalagens dos produtos, sejam alimentares e/ou gerais (nesse quesito, busco consumir menos e jogar as embalagens nos depositários de lixo espalhados pelas urbes).

Vejam nas fotos e filmagem que fiz – sim: ao chegar no meu apartamento, decidi voltar à rua, quase às 23hs, para tentar registrar o descalabro, a prova de uma sociedade inconseqüente, infantil, domada e direcionada apenas aos atos de consumo sem nem raciocinar nos rastros de destruição que para trás (e para o futuro) deixam!






Não seria já hora de nossas mídias, nossas escolas, faculdades etc abordarem uma educação verdadeira, e não essa irreal e que apregoa o ensandecimento competitivo sem percepção nas conseqüências?
Tirem vossas conclusões. Eu ainda creio numa humanidade que virá, preservando e criando, sem descuidar das conseqüências...sim, sou espiritual, no sentido univérsico (de Rohden) e quântico-ativista (no sentido de Amit Goswami), e questionador (no sentido de Krishnamurti). Também busco a paz (como Gandhi), e a ação decidida, como a de guerreiros de luz (e não de arrebatamentos físicos). Mas essa última atividade ainda estou longe de conseguir fazer fluir. Enquanto isso, busco me orientar aos afazeres e à divulgação daquilo que julgo errôneo e que precisa ser realmente visto e revisado, como esses descalabros que ocorrem nessa cidade que resido há mais de 37 anos! E que, claro, servem de alerta e exemplo a todas as outras espalhadas pelo nosso país. E não finalizo sem antes deixar um recado aos que se dizem nossos políticos (e aos que pleiteam sê-lo e re-sê-lo): cuidado, porque essa “gula” de vocês por um lugar a esse “sol” que buscam (o dinheiro, é claro), está com os dias contados! A população brasileira já não suporta mais essa condição desigual e esse desequilíbrio entre vossos salários e os deles, entre os trabalhos que eles têm e as falsas atividades que vocês simulam e ensejam no pleito da falsa política que vocês abarcam. Cuidado, porque o limite já passou até, e é questão de (pouco) tempo para que isso desmorone de uma vez! Os sinais já estão aí, incluindo essa sujeira nas ruas e a falta de uma vida equilibrada que ofusca e nubla as mentes das pessoas, colocando-as como zumbis...se vocês que desejam cargos na vida política não começarem a pensar realmente no que quer dizer tal função, e trabalharem de verdade para a harmonia da polis, vocês mesmos serão também engolfados por essa aberrante vida desproporcionada, e serão arrastados como glutões ensandecidos que são...vide minha HQ “Terra & Plantio”, e entenderão! Vou parafrasear uma frase encontrada nessa obra de Goya: “O sono da educação cria monstros”!

E aqui minha HQ:





Gazy Andraus, início de setembro de 2012.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012


Ó criança...deixe para trás toda sua esperança! (e molhe minhas mãos com o dindin, disse o papai governo a seu domesticado súdito)

Detalhe curioso: o tal “Criança – Esperança”. Porque somos nós a contribuir? Porque a política não é organizada e o dinheiro está corrompido. Ela é que deveria provir isso, já que pagamos altos impostos e colocamos nas funções os funcionários públicos (os tais políticos) a trabalhar conosco essas questões (com aqueles votos que já considerei no texto anterior, lembram?). E mais: ao telefonar, estou doando não só o valor mínimo estipulado: pela internet só posso doar um mínimo de 15 reais, e pelos telefones, o mínimo de 7 reais (só que o cidadão paga mais o custo da ligação com impostos). Ora, para onde vai esse custo? Para o lucro da empresa de telefonia, e para os cofres públicos (com nossos impostos). E de novo levam o dinheiro suado do pobre trabalhador, com a desculpa de estar ajudando as crianças...coisa que nem deveria ser cogitada, pois a educação e a saúde deveriam ser as instituições que recebessem mais verba para o pleno funcionamento. Mas não, me pedem para dar lucro à telefonia e para dar mais dinheiro ao governo!
Criança esperança, ainda que tenha os mais nobres ditames via UNESCO, para mim reflete um país arcaico, corrupto, ensandecido cuja população não raciocina e não reflete, porque justamente está sendo obliterada a tal, enquanto seu governo lhe suga até a alma!
Essas minhas declarações pungentes não são para negar a verdade, a beleza e a vida em si, mas justamente para nos fazer acordar e tentarmos virar a situação trazendo esses elementos de volta...e tentarmos consertar o que pode ser consertado, alterando essa situação governamental insana. É para isso que produzo como pesquisador e como artista, tal qual o ciberpajé Edgar Franco em seus trabalhos de ampliação da consciência!
Grande abraço a todos e vamos nos insurgindo, surgindo como fagulhas de esperança e trabalho, para que as crianças verdadeiramente possam ser ajudadas em seu desenvolvimento, e não esquecidas e/ou manipuladas!

Gazy, São Vicente, 01/09/2012

Voto nulo? Embranqueço minha mente se não penso nisso!

Volto ao blog com essa reflexão: o que na verdade é obrigatório ao Brasil? O voto ou o comparecimento às urnas?
Primeiro: tenho o direito como ser humano de escolhas, mas como sou um ser social e gregário, tenho também deveres: minha liberdade acaba onde eu começo a fazer mal ao próximo!
Se o governo é parte da política, e se todo cidadão é parte da polis (cidade modelo da Grécia), então somos todos responsáveis mesmo, e em realidade, seres essencialmente políticos (querendo ou não), pois inseridos na polis.
O que me deixa ressabiado, é a forma com que somos impelidos a atuar, no que o governo tenta fazer as vezes do “pai” que obriga o filho para que ele seja bem sucedido...mas aqui há falcatruas!
O governo – ele mesmo – não é um pai lícito, pois abre exceções a si: salários absurdos que contrastam desproporcionalmente aos ganhos de trabalho (mais valia) do cidadão comum! Imunidades descabidas! Nepotismo ao empregar cidadãos parentes e que possivelmente nem tenham preparo para a função que os colocam etc.
E mais: quem vigia os vigilantes (Watchmen – um libelo criado por Alan Moore, à sociedade e à questão de quem pode julgar os que no poder permanecem?).
Assim, ao ser obrigado a comparecer às urnas (sob pena de multa), tenho o direito a:
1-      Votar em alguém ou algum partido;
2-      Apertar a tecla “branco” e não escolher nenhum partido ou nenhum nome e
3-      Anular meu voto...?
Mas sim? Anular como, se não há essa tecla?
E porque anularia, não me imiscuindo na sociedade? Bem, mas deixar em branco eu posso?
E por que o governo não insere a tecla “Nulo” também, e só a “Branco”?
Ora, isso sim, é manipulação!
Primeiro: erroneamente cremos que somos obrigados a votar (como eu mesmo pensava). Mas em realidade, somos obrigados ao comparecimento às urnas.
Ok. E uma vez lá, posso me abster de votar apertando a tecla “branco”. Tá certo: e por que não existe a tecla “nulo”?
Ali há várias considerações acerca dos votos, e da nulidade. Muito depende também de julgamento para asseverar nova eleição, caso haja mais da metade de votos anulados. Eis aí o temor de nosso governo (e candidatos desonestos); de que a eleição seja anulada no caso de julgamento cabível. Porém, isso não se dá com facilidade, pois depende de julgamento, e na realidade, tanto votos brancos como nulos não entram no cômputo, a menos que haja um consenso nacional em que a maior parte da população expresse firmemente que quer anular a eleição devido a motivos expressos (protesto definitivo contra a corrupção, insatisfação total com os que estão a se eleger dado que sejam indignos dos cargos que pleiteam etc). Aí, sim, haveria um julgamento para concluir o cancelkamento ou não da eleição, pois pode ser interpretado que a população em mnassa desejou conscientemente se insurgir naquele momento contra a eleição como um todo!
Assim, exijo, como cidadão, que o governo
a) ou insira o botão “nulo”, pois quero meu direito de anular conscientemente, assim como tenho o dever de comparecer à votação!;
b) ou informe o cidadão claramente nos veículos de comunicação que ele pode votar, que ele pode apertar a tecla “branco” e que ele pode anular seu voto e como isso incidiria!
E mais: aos que não sabem, é fácil anular, ainda que não haja tal botão: basta digitar quaisquer números que não estejam sendo usados, ou melhor ainda: “000 (zero, zero, zero) mais a tecla verde que o voto instantaneamente está anulado.
A população, como gado conduzido, não recebe tal orientação, pois ao governo é “coerente” que votem em alguém ou em algum partido. Mas podem votar em branco (em cima do muro?). Não, quero meu direito à anulação se insatisfeito estou. E você meu amigo, se quiser se juntar a esse coro a fim de que a corrupção pare de grassar e que esse bando de corjas pare de usufruir vampirizando-nos, dê um basta nessa ou na próxima eleição, anulando conscientemente: daríamos um baita problema ao sistema, pois em juízo tudo teria que ser revisto, sem falar que a maioria dos ingressantes ao cargo não poderiam tentar nova eleição, pois foram rechaçados veentemente com a anuência da consciência popúlar.
A grande maioria da população faz a “colinha” para votar, instigados pela obrigatoriedade e para receber seu quinhão depois (um dindim e/ou um feijão prometido). Quero ver se a obrigatoriedade caísse, para saber como os corruptos conseguiriam obrigar essa população a pagar sua contraparte? E mais: essa grande maioria caso venha a digitar errado, vai deparar com um “erro” nas urnas, e vai ficar intimidado...daí o que podem fazer se esquecem o número? Votam em branco. Ora, ponham o botão nulo. Votarão assim também. Mas esses cidadãos são receosos porque não são corretamente informados: acham que não podem votar em números “errados” que senão seu voto não é dado e podem ser punidos etc.
Só os que não sabem pensar como a grande maioria não percebem isso. Eu percebo: sou acadêmico mas sei como pensa um cidadão moral e simples (simplório, ingênuo).
Basta à domesticação e ao escravismo a que a falsa política nos empurra.
Eu anulo meu voto! E você? Pense bem, e decida-se. Nesse sistema, trocamos as moscas, mas vc sabe o que permanece lá...essas moscas estão ávidas para entrar, pois não precisam de concurso, nem de conhecimentos...só precisam de seu voto e uma vez lá dentro ganham milhares de reais para nada de útil fazer, e sim, torrar superfluamente o dinheiro nosso, usando-o indiscriminadamente.
É isso que queremos? Gente despreparada regendo com projetos copiados e inúteis, nossas vidas?
Pense e reflita.

Alan Morre em sua obra seminal “Vde Vingança”, deu o recado anarquista à lá Guy Fawkes!

Grato se refletirem.
Gazy, São Vicente, 31/08 e 01/09/2012

sexta-feira, 17 de junho de 2011

O governo obedece às multinacionais? Cartilha em HQ de orgânicos retirada no site oficial a mando da Monsanto!

Recebi um email do amigo e prof. Dr. Hyio Laganá da UFSCAR, repassando outro email de uma profa. Dra. acerca de um impedimento que a Monsanto causou recentemente com relação a uma cartilha em HQ que defende os alimentos orgânicos. Vide a seguir para entender:

(Data recebida: Segunda-feira, 13 de Junho de 2011, 19:58

“Olá pessoas!

A cartilha "O Olho do Consumidor" foi produzida pelo Ministério da
Agricultura, com arte do Ziraldo, para divulgar a criação do Selo do SISORG
(Sistema Brasileiro de Avaliação de Conformidade Orgânica) que pretende
padronizar, identificar e valorizar produtos orgânicos, orientando o
consumidor.

Infelizmente, a multinacional de sementes transgênicas Monsanto obteve uma
liminar em mandado de segurança que impediu sua distribuição. O arquivo foi
inclusive retirado do site do Ministério (o link está "vazio").

Em autêntica desobediência civil e resistência pacífica à medida de força,
estamos distribuindo eletronicamente a cartilha.

Se você concorda com esta idéia, continue a distribuição”.

Profa. Dra. Rosa Wanda Diez Garcia)


Fui, então, pesquisar mais e achei um link tb pra mesma cartilha:

Linkhttp://www.artefatocultural.com.br/portal/uploads/cartilha_ziraldo.pdf

E um artigo que explica a questão:

http://foradomanual.blogspot.com/2009/07/ministerio-da-agricultura-pode-recolher.html

Nesse artigo ela explica que a cartilha ainda está online mas não no ministério. Veja abaixo que o link mudou, mas é para a mesma cartilha:


http://www.aba-agroecologia.org.br/aba2/images/pdf/cartilha_ziraldo.pdf


Realmente, nossa humanidade vive na corda bamba, fruto de um imperialismo monetário cujo deus Mamon (do dinheiro) arrasta num tsunami inexpugnável o destino de todos aqueles que se inteiram das consequências de mau uso de tudo no mundo, mas que se veem impedidos de continuar a melhorar seu padrão de vida devido às megacorporações que ditam as regras!
E na cartilha, bem na página 7 dela dá pra saber porque a Monsanto a proibiu: diz que os transgênicos podem colocar em risco a diversidade, e como a Monsanto trabalha com transgênicos...
O duro é ela conseguir se impor ao governo (e que governo o nosso...brrrr!) em detrimento às questões basilares da saúde humana!

Reflexões, então, gente! E (re-)ações!


Gazy Andraus, 17/06/2011

INTERESPE: APRESENTAÇÃO

INTERESPE: APRESENTAÇÃO: "O INTERESPE - Grupo de Estudos e Pesquisa sobre Interdisciplinaridade e Espiritualidade na Educação, teve seu início em 2005. É formado por ..."

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Thor – tura!


Não o filme. Eu o assisti duas vezes: a primeira no áudio digital no cinema. Houve uma mescla no roteiro de fases do herói do gibi – e obviamente um tanto do mito original nórdico, como o fez Stan Lee, seu criador para os quadrinhos. Porém, é de se deixar claro que este Thor do cinema pertence à Marvel, portanto um super-herói, que faz parte da formação dos Vingadores, um super-grupo. Tudo criado na fase do final da década de 1960 por Stan Lee e seus contemporâneos. O filme é muito bem dirigido por Kenneth Brannagh, mas a fala pomposa com um inglês que usa “tu” (“thou”) não aparece no filme. Em compensação, nos quadrinhos isso ainda se utiliza (pelo menos até a fase que conheço, de Walter Simonson, um dos melhores roteiristas e desenhistas norte-americano de super-heróis, com um estilo muito pessoal). O visual de Asgard com a ponte Bifrost é impecável e muito belo. O filme me pediu para ser revisto justamente por sua beleza e estética visual. As falhas principais que percebi – em especial duas gritantes – e que na verdade não eram falhas, mas sim recursos comerciais (que me irritam), foram

a) o capacete de Thor que só é mostrado no começo e depois não mais. Provavelmente para que o rosto do ator loiro atraia mais espectadoras ao cinema. Onde está o capacete quando Thor recobra seu martelo no fim do filme (com um rápido e inverossímil desenvolvimento de qualidades que ele não tinha, como compaixão e maturidade)? Por que o elmo não surgiu junto com o resto do paramento do herói?

O outro deslize (proposital, mas do qual sou contrário), é a música-rock ao final, um heavy-pop fraco (acho que do grupo Foo Fighters). Ora, o filme é baseado num herói que é uma espécie de Deus, que remonta e se reestrutura a partir de um mito nórdico. Para isso, como um épico, a trilha sonora do filme instrumental (que não é do referido grupo) está ótima, mas para o final, quando começam os letreiros e sempre aparece um rock associado a um filme de super-herói, porque não buscaram um grupo de heavy metal que apologiza sons coerentes com esse tipo de temática (épica)? Há inclusive, uma música ideal, que cujo título homônimo “Thor” de Manowar, poderia ter sido usada e fecharia magistralmente o filme. Essas manias dos produtores visarem detalhes pop e comerciais extremos, mas que não se justificam e não casam com os temas tem me deixado irritado com nosso sistema (e com a falta de coerência das produções artísticas, como essas). É comercial, sim, mas nem por isso deixa de lado um trabalho esmerado e cuidadoso, em muitos casos, como deram a esse filme. Isso porque baseado em quadrinhos, e os fãs de HQ não são bobos: têm conhecimento de mitos, de ideais etc. Ou será que estou só nesse pensamento? Pois agora, numa segunda parte desse texto, vou expor o que aconteceu-me no cinema, mostrando um pouco essa nossa juventude “extraviada”…

Gazy Andraus, 27 e 28 de maio de 2011.



Thor-tura-1!

Agora sim, para entenderem melhor a razão desse trocadilho!

Fui ao cinema pela segunda vez assistir o filme mencionado. Da primeira, foi em Goiânia-Go, e agora, de volta a minha cidade de São Vicente-SP, me deparo sem opção quanto aos filmes serem todos dublados. Parece um consenso: o único centro de compras da cidade é o que abriga os cinemas. E por sua vez, pensando que os habitantes de minha cidade são semi-analfabetos, não há mais a opção de filmes legendados por aqui…somente na cidade de Santos, que é maior e mais turística. Até aí, paciência! Fui assistir mesmo assim, e em 3-D devido ao horário, não por minha opção. O filme Thor é enganador com relação a isso: não produziram nada em 3-D à exceção do título do filme na abertura. Uma maracutaia para tirarem facilmente mais dinheiro do público, já que as sessões em que passam filmes 3-D são mais caros.

Enfim, a pior parte vem chegando: sentei-me ao lado de várias pessoas, tendo uns 4 jovens rapazes adolescentes à minha direita. Eles falavam bastante antes de começar o filme. Aguardei para ver se se aquietariam…mas não! O primeiro a meu lado era o mais agitado. Porém, antes de eu me virar para eles, e polidamente pedir-lhes que abaixassem a voz nas falas, visto que o filme era dublado, percebi que desconheciam totalmente Thor. Isto me fez lembrar que são da geração de meados para o fim da década de 1990 e cresceram embebidos de animes e mangás, quase que exclusivamente. Porém, isso não é um mal. Mal é que o universo deles se tornou extremamente limitado. Pareceu-me que ao nascerem, pensaram que o mundo (e o cosmo) se iniciou na década de 1990 com eles, numa ciência creacionista mais exagerada (se é que isso se pode conceber). Eles bradavam a todo momento alusões do filme a animações japonesas como Naruto, Goku e Cavaleiros do Zodíaco. Essas eram as bases e referenciais deles…a esses jovens, Thor é uma “cópia” misturada de elementos de animes famosos com os quais tomaram conhecimento!

Não parecem conhecer mitologias…nem greco-romanas, nem nórdicas...apenas a televisiva. Visto, por exemplo, que a própria série Cavaleiros do Zodíaco é uma mescla pós-moderna de mitologias universais de vários povos!

Esse dia, a ida ao cinema me foi uma aula importantíssima. Percebi que:

1- Nossos jovens não têm educação alguma, pois em qualquer lugar que estejam, se postam como se estivessem em suas casas…e se isso é verdade, pior ainda, pois demonstra que em seus lares não devem se respeitar e nem respeitar o próximo (familiar) passando por cima de todos e de tudo ao mesmo tempo;

2- Não existem motivações que lhes informem realmente de nossas origens como espécie humana, nossas bases míticas, nossas possibilidades de evolução nesse orbe, e inqurimentos que nos façam dosar a moral, ética e questionamentos ulteriores.

Isso, claramente, é fruto de um pernicioso sistema educacional manco, que se esforça em atirar informações sem trazer os interesses primordiais. Porém, agora tal descalabro compete com a Internet e a possibilidade desses jovens de navegarem a esmo…buscando informações, mas sem formação. Perigo iminente, porque serão eles os capitães (i)maturos de um destino no qual forjarão a continuidade de nossas civilizações, sem o mínimo embasamento e sem o mínimo cuidado (ecológico, então, nem se fale).

É um quadro sombrio: as criatividades possíveis das mentes desses jovens largadas sem um lastro, jogadas a esmo. Imagino que na política, por exemplo, serão o equivalente a esses homens incultos que nem sabem onde ficam a região norte e nordeste no mapa do Brasil (como nos foi mostrado uma vez quando repórteres do programa CQC perguntaram a deputados tal informação, mostrando-lhes um mapa, ao qual apontavam para o centro-oeste ao dizerem que ali estava a região norte, por exemplo).

Esse é um quadro grave, e só vejo uma solução bem interessante, comungando o que meu amigo pesquisador e artista multimídia Edgar Franco disse numa entrevista. Que seria interessante termos uma disciplina nas escolas, desde o início da infância à adolescência que tivesse a ver com criações de mundos fantásticos:

“A cada nova criação assim me sinto mais tolerante para com as pessoas em geral, me vejo mais doce, menos presunçoso, a minha empatia cresce no mundo real na medida em que surgem novas personagens em meu mundo ficcional! Eu sugiro aos educadores uma disciplina obrigatória chamada “Criação de Mundos Ficcionais” que deve ser ensinada em todas as séries dos ensinos fundamental e médio, considero uma disciplina como essa tão importante quanto matemática e português”. (vide em: http://www.jornalopcao.com.br/posts/opcao-cultural/um-artista-pos-humano )

Isso auxiliaria os jovens nas criações, mas não só. Eu aliaria a essa proposta que as bases dessa disciplina fossem os mitos universais que Joseph Campbell nos cansou de mostrar como importantes, e Carl G. Jung nos trouxe como impulso dos inconscientes coletivos. Seria uma disciplina que amalgamesse a possibilidade de criar universos fantasiosos, desenvolvendo o senso imaginativo e criativo dos jovens, e também o reconhecimento por parte deles de todos os mitos possíveis universais: desde religiosos como a Bíblia cristã, o indiano Baghavad ghita, o I-Ching e Taoísmo, os Egípcios, passando pelos greco-romanos e nórdicos, africanos, aos orientais e extremo-orientais, bem como os nativos indígenas do Brasil. Por exemplo: se Zeus (greco-romano) é senhor do Olimpo, equivalente a Odin em Asgard (pai nórdico de Thor), nosso Tupã poderia ser a contraparte indígena de Thor etc. Com isso, a base das morais e éticas que existem nessas narrativas míticas não se perderiam, pois que trazem instruções intuídas a nossas mentes criativas e rcaionais, moldando-nos com mais propriedade e maturidade, e não nos jogando ao léu de uma existência a qual desconhecemos tudo e não temos como dialogar e criar (porque senão, para nós, tudo seria uma variante dos Cavaleiros do Zodíaco, apenas!).

É, caros, nossas escolas se perderam e se esqueceram de criar…as narrativas, as histórias míticas trariam de novo o desconhecido e o criativo, aliado ao que já existe e à base racional que já desenvolvemos, pois se isso não fosse importante, para que ficamos criando filmes, desenhos e contos e toda sorte de histórias? Deveríamos excluir tudo isso (e até a música) e ficarmos apenas com o “essencial” imediatista e racional que nos supriria: construções racionais e matemáticas que edificam casas para nos abrigar, e economias alimentares e combustíveis para nos mantermos sem fome e em constante trânsito…apenas isso, uma vida árida de autômatos num estágio bem primário!

Somos robôs?

Duvido muito disso. Mesmo porque, os cientistas não se contentam com tais engendros...querem elaborar o “Robô” que pense como humano: o que contenha uma Inteligência Artificial não retilínea, mas paraconsistente...e criativa!